quarta-feira, 4 de junho de 2008

SANTA INQUISIÇÃO











Interrogatório: A vítima era submetida a torturas horríveis no ato do processo inquisitorial







Inquisição. (do latim inquisito: busca, indagação). É a designação de um Tribunal Eclesiástico, vigente na Idade Média e começo dos tempos modernos, que julgava os hereges e as pessoas suspeitas de HETERODOXIA em relação ao Catolicismo. Se bem que a Inquisição só se apresentasse em plena pujança no século XIII, suas origens, contudo, remontam ao século IV. A partir de então data a perseguição àqueles que não acreditavam no credo católico. Tinham seus bens confiscados e alguns, esporadicamente, chegaram a ser condenados a morte, como aconteceu com certos grupos de maniqueus e de donatistas. O imperador Maximus, em 385, condenou a morte o herege espanhol Prisciliano. A maioria dos Bispos da época reprovou a atitude dos Bispos espanhóis responsáveis pela condenação. Do século IV ao século IX, as perseguições diminuíram. Recrudesceram, porém, a partir da última metade do século X, registrando-se então numerosos casos de execuções de hereges, na fogueira ou por estrangulamento. Não havia, contudo, um tribunal organizado neste sentido. O clima propício para a criação deste terrível Tribunal só apareceu na época do Papa Inocêncio III (1198), responsável por uma Cruzada contra os hereges, após a qual praticou execuções em massa. Em 1229, no Concílio de Toulouse, criou-se oficialmente a inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. A partir deste momento, e sobretudo com o trabalho dos frades dominicanos foi-se precisando a legislação e jurisprudência da Inquisição.
Pode-se dizer que foi o Papa Gregório IX (1227-1241) em sua Bula Excommunicamus, publicada em 1231 que organizou a verdadeira inquisição.
Na Europa, entre os séculos XI e XV as heresias são geradas principalmente pelo desenvolvimento cultural, acompanhado de prosperidade econômica e crescimento urbano, as reflexões filosóficas e teológicas da época produzem conhecimentos que contradizem a concepção de mundo defendida então pelo poder eclesiástico. Além disso, surgem movimentos cristãos como os cátaros em Albi e os valdenses em Lion, no sul da França que pregam a volta do cristianismo às origens, defendendo a necessidade da igreja abandonar suas riquezas. Em resposta a essas heresias, milhares de Albinenses são liquidados por exércitos papais, entre os anos de 1208 e 1224.
A responsabilidade pela ortodoxia da religião passa dos bispos para os inquisidores – em geral franciscanos e dominicanos – sob a direta jurisdição do papa e são estabelecidas punições severas. As penas podem variar de obrigação em fazer uma peregrinação a um santuário ou uma abjuração pública do confisco dos bens e a prisão. A pena mais severa era a prisão perpétua. Mas as autoridades civis automaticamente converteram em execuções de morte em fogueira ou enforcamento em praça pública.
Os heréticos não podem recorrer ao direito de asilo e, em geral, duas testemunhas constituem suficiente prova de culpa. O processo era sumário. O acusado podia ignorar o nome do acusador. Mulheres, crianças e escravos podiam ser testemunhas de acusação, mas não na defesa. Num desses processos consta o nome de uma testemunha de dez anos de idade. Se o processado delatasse parentes, amigos e outras pessoas, passava a gozar certas regalias. O padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), um dos mais completos teóricos da inquisição, enumerou em seu Líber Sententiarium Inquisitionis (“Livro de Sentenças da Inquisição”), vários processos para a boa obtenção de confissões, inclusive pelo enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro.
Em 1252, o papa Inocêncio IV sanciona o uso da tortura como método para obtenção de confissões de suspeitos, nessas torturas poucos se livravam da morte com graves lesões pelo corpo. As condenações para os culpados são lidas numa cerimônia pública no fim dos processos, era o chamado Auto-de-fé. Tendo em vista o declínio dos movimentos heréticos devido às intensas perseguições e torturas o poder arbitrário da inquisição voltasse para suspeitos de bruxarias e todo e qualquer grupo hostil aos interesses do papado.
Nos séculos XIV e XV os tribunais da inquisição diminuem sua atividade e são recriados sob forma de uma congregação da inquisição mais conhecida como “Santo Ofício”. Contra os movimentos de “reforma protestante” e contra as heresias filosóficas e científicas ressurgidas do Renascimento.
A Reação Católica a esses movimentos foi à instauração da Contra Reforma. Suas principais medidas: convocação do Concílio de Trento, condenando a doutrina protestante e confirmou a doutrina católica, aconselhou a formação dos sacerdotes em escolas especiais, determinou a publicação de um resumo da doutrina cristã, “o catecismo”, instituiu o index, uma relação de livros proibidos pela igreja, reafirmou os Sete Sacramentos e o valor das Indulgências.

A COMPANHIA DE JESUS - que foi uma sociedade missionária fundada em 1534, por Santo Inácio de Loyola, com objetivo de defender o catolicismo diante da reforma protestante e difundi-lo nas novas terras do ocidente e do oriente. Tem rápido crescimento e alcança grande prestígio e poder, tornando-se a instituição mais influente nas colônias portuguesas. Seu sacramento diante do sumo pontifício foi: submissão ao papado, serem celibatários e pobres.

TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO – mais uma vez o instrumento do terror, atraso e obscurantismo entra em profusão, utilizado pela igreja católica contra todos os que divergissem de sua doutrina (Os Hereges) essas pessoas submetidas a interrogatórios, durante os quais eram torturados até confessarem seus crimes, “Que Crimes?”. Os judeus e os islamitas foram um dos alvos prediletos da inquisição, sendo obrigados a se converter ao cristianismo, caso contrário, eram condenados a morte em fogueira, (a história não narra, apenas UM que aceitasse esta religião). Todas as execuções eram feitas em praças públicas para intimidarem os outros.
O tribunal agiu com maior força intensiva na Espanha e em Portugal – inclusive em suas colônias, como América Espanhola e o Brasil.

FOCALIZANDO A ORIGEM DO CATOLICISMO

Q
uando Teodósio assumiu o governo do império, em 379, encontrou muitos grupos que se diziam cristãos, cada um considerando-se detentor da verdade, perdidos que estavam em devaneios e vãs filosofias. Desde o tempo dos apóstolos, os gnósticos ainda subsistiam, mas não se pode incluí-los no número dos apologistas, porque procuravam conduzir o Cristianismo aos moldes pagãos. Outras correntes, no entanto, mantinham-se vivas, com seus seguidores atuantes.

OS GRUPOS RELIGIOSOS

MONTANHISTAS – que alguns historiadores chamam de “Os primeiros anabatistas da História”. Eles se opunham ao Gnosticismo e tinham sido propostos por Montano, sacerdote de Cibele que, na Frigia, se convertera ao Cristianismo e começara a atuar por volta de 135 a 160, tendo em Tertuliano seu mais importante defensor. Era um movimento como muitos que surgiam através dos séculos, objetivando o retorno da igreja a simplicidade da vida evangélica, sendo que, até certo ponto, eram considerados como extremistas, pois haviam rompido relações com a velha igreja, plena de erros e corrupção. Insistiam em afirmar que os que renunciavam a fé em virtude das perseguições nunca tinham sido crentes, e só seriam readmitidos no seio da igreja se fossem rebatizados. Em função disso mais de cinqüenta milhões de pessoas foram martirizadas na idade média.

MANIQUEÍSMO – uma heresia que não está bem situada no tempo – alguns historiadores o indicam sob a liderança de Manés ou Mani – nascido no ano de 238 ou 270, fundamenta-se em ensinos completamente opostos ao Cristianismo e mais semelhantes aos do Gnosticismo. Consistia em um enxerto do Budismo no Cristianismo, da região onde se propagou o Zoroastrismo. Essa mistura foi proposta como sendo o verdadeiro Cristianismo, divulgado com muita facilidade por muitas regiões.

NOVACIANOS – esta seita surgiu aproximadamente em 250. Era um Montanhismo mais brando, com algumas modificações doutrinárias menos legalistas, mais sensíveis a graça que propriamente a Lei. Certo historiador apresenta Novato, seu orientador, como um anticapa “que teria se oposto à eleição do Papa Cornélio (SIC)”, quando na verdade ainda não existia papa, e os bispos de cada igreja – Jerusalém, Antioquia, Corinto, Éfeso.. –eram autônomos, independentes, e não estavam sujeitos à jurisdição de qualquer outro. Tanto que Jesus se referiu a cada igreja individualmente quando transmitiu a mensagem a João, em Patmos, como está registrado nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse.

MONARQUIANOS – (alguns historiadores confundem com os publicanos que surgiram séculos mais tarde) surgiram por volta do ano 290, criados por Paulo de Samosata, um pagão, que por meios incompreensíveis chegou a ser Bispo em Antioquia e divulgou uma heresia abominável a respeito da pessoa do Senhor Jesus Cristo. A celeuma foi de tal ordem que os cristãos convocaram um conselho para o esclarecimento do caso. A solução foi à expulsão de Paulo de Samosata. Teria sido muito bom se o caso acabasse com a sua expulsão, mas Samosata recusou-se a obedecer, apelando para o imperador, que enviou o caso para os bispos da Itália. -- Que confirmaram a expulsão. Foi a primeira questão religiosa cristã proposta à solução do imperador romano.

ARIANISMO – eles acreditavam, juntamente com os Donatistas e os Ortodoxos, serem possuidores da verdade absoluta. Eram intransigentes, cada grupo sustentava os seus princípios, constituindo um grave problema para Teodósio.

JOVIANINOS – chamado pelo historiador de Neander de “o protestante do seu tempo”. Ele era um monge de grande cultura, que vivera muitos anos no ascetismo, tão em moda naquele tempo. Em 378, iniciou seus ataques ao ensino de Jerônimo e seus adeptos. Não há boas informações a respeito do jovinianismo, pois nesse período já despontava a “Idade das Trevas”, e as noticias que existiam sobre esse movimento foram divulgadas por seus inimigos. Mas é sabido que eles ensinavam pontos comuns aos evangélicos de hoje, a saber: que Jesus Cristo vive igualmente em todos, sem distinção de grau; que a humanidade se divide em duas classes, os salvos e os perdidos, conforme mencionado no salmo primeiro; que a salvação é pela graça, ou seja, um dom gratuito de Deus, e não oriundo das obras. No ano 390, um sínodo romano condenou Joviniano e sete de seus seguidores, e logo a seguir outro sínodo, reunido em Milão, lançou excomunhão sobre todos os jovinianistas.

A OFICIALIZAÇÃO DO CATOLICISMO – aproveitando o péssimo precedente de Constantino, Teodósio também assumiu o partido dos Ortodoxos e decretou: Queremos que todas as nações que são governadas por nossa moderação e clemência aceitem plenamente a religião que São Pedro ensinou (sic) aos habitantes de Roma, a qual a tradição nos conservou fielmente e agora é professada pelo pontífice (sic) Damásio e por Pedro, bispo de Alexandria... a crença em uma única divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, numa majestade igual e misericordiosa Trindade segundo os ensinos dos apóstolos e a doutrina dos evangelhos. Autorizamos aos que seguem esta doutrina que recebam o nome de cristãos católicos, e a todos os demais julgamos insensatos e loucos, assinalamo-los com o nome infamante de seguir um dogma herético, suas congregações não podem assumir a respeitosa denominação de igrejas. Além se serem condenados pela justiça divina, devem esperar sofrer as penas severas que a nossa autoridade, guiada pela sabedoria divina, considere próprio infligir-lhes.
Era o assentamento das bases da “santa” inquisição.
Esse decreto de Teodósio era tudo que os Ortodoxos, antigos judaizantes, desejavam, e colocavam as forças do Estado a sua disposição. Eles já haviam se apoderado de muitos costumes pagãos e pouco praticavam os ensinos do Senhor Jesus. Desde o inicio do século IV os imperadores tinham sido alternadamente Arianistas e Ortodoxistas conforme o interesse do momento de cada um. Constâncio optou pelo Arianismo contra seus dois irmãos ortodoxos. Ele mandou mata-los e ficou sozinho no poder. Juliano o menino de seis anos que se salvara da vingança de Constantino, sendo criado em ambiente tão confuso e cruel entre os “cristãos”, quando assumiu o poder adotou o paganismo que, com certeza, deveria ser menos bárbaro. Foi chamado erroneamente de “apóstata”, pois afinal nunca fora católico.

FOCALIZANDO O SURGIMENTO DA “SANTA” INQUISIÇÃO

C
omo vimos no capítulo anterior, a Inquisição começou com o catolicismo, pelo decreto de Teodósio, em 381. Ele nomeou o primeiro inquisidor da fé, e desde aquele tempo, embora ainda sem ser chamada de Inquisição, esteve bem viva, funcionou e funciona até hoje, pelo menos na cabeça de alguns padres, que não se conformam com o avanço da educação, da cultura e dos costumes. Para eles, ainda vivemos na idade média, como bem disse um presidente da América do Sul:
A Igreja Católica é absurda, obsoleta e medieval.
Salvo algumas honrosas exceções, grande parte faz justiça ao pejorativo do ilustre presidente. Dizemos exceções, porque acompanhamos as sábias palavras de um Arcebispo que honra a religião e publica as informações e conselhos úteis, valiosos e edificantes, muito diferentes das que se ouviam a cinqüenta anos, o que prova que referido senhor não está parado no tempo como uma fotografia. Ele disse:
Estimular a leitura da Bíblia... preserva de maneira absoluta a palavra divina...
Cada expressão religiosa tem o direito e o dever de ensinar integralmente a sua doutrina.

PERSEGUIÇÃO AO ARNALDISMO – em 1184, era grande a atividade evangélica por toda a Europa daqueles que pugnavam pela volta do Cristianismo aos moldes primitivos, principalmente em Languedoc, pois o clero, arrogante e vaidoso, explorava o povo, faziam visitas indiscretas as propriedades e impunha-se com exigências absurdas.
Arnaldo de Bréscia havia sido denunciado por um bispo de sua cidade e fugira para a França. Ali continuou com suas pregações, fazendo prosélitos, e o arnaldismo se propagou grandemente. Depois perseguido fugiu para a Suíça.
Adriano IV, papa entre 1154 a 1159, mandou executar o turbulento Arnaldo de Bréscia por enforcamento, depois mandou queima-lo e atirar no Tibre as suas cinzas. Esse horrendo espetáculo (disse Rui Barbosa: “o sangue de Arnaldo de Bréscia clama ainda hoje por vingança”) causou enorme repercussão. Albi, Tolosa, Montpelier tomaram grande impulso, e o numero de “hereges” era espantoso. Mas veio a Inquisição, e
O primeiro ato desta potencia sobreexcedeu-se notável pela emissão do Código Canônico, cujas estatuições importavam preceitos coercitivos para toda a sorte de fiéis e deste ponto começou a se exacerbar o mal pernicioso atribuído a Igreja ...
Como quer que fosse, uma guerra longa e desastrosa, milhares de inocentes foram desterrados e banidos ou arrastados ao suplício sem processo. Príncipes perturbados em seus Estados e despojados de seus bens.
Em 1179, o terceiro Concílio de Latrão, decretou a perseguição permanente aos hereges, envolvendo muitos nesta obra. Os próprios leigos eram obrigados, sob juramento, a dar informações para o bom desempenho das decisões, mesmo que fossem simples suspeitas.

A DIETA DE VERONA – em 1184, a Dieta de Verona ordena aos arcebispos e bispos visitarem as paróquias suspeitas de heresia. Ademais ela quer que o juramento seja prestado perante o visitador e três homens seguros da paróquia. Em 1229, o legado do papa (Gregório IX, 1227-1241) Romão de San-Angelo preside o Concílio de Tolosa... o Concílio testemunha um grande esforço contra a heresia.
A dieta estabeleceu três pontos principais: primeiro, uma comissão para exercer vigilância e assinalar os hereges ao bispo local; segundo, a ordem para a busca dos hereges pelos donos da terra, sob pena de punição aos omissos e negligentes; terceiro, uma comissão avaliadora dos casos, para não se cometer injustiças. Não é o senhor da terra, mas o bispo que vai decidir se há crime ou não. Só pode se punir como herege aquele que pelo poder eclesiástico for declarado como tal. O inquisitio (investigação) era uma forma secreta e foi à razão de muita gente ser sacrificada na fogueira. Esse tribunal foi muito mal recebido pela população, sendo expulsos os inquisidores e o bispo que presidia, mas foi restabelecido em pouco tempo. Depois, todos os rebeldes foram degolados, fato que revoltou o Conde Raimundo, grande defensor dos Albigenses.
Em 1215, o quarto Concílio de Latrão decretou que os governadores seculares confiscassem os bens dos hereges e depois os executassem. Caso contrário, seriam eles os excomungados e privados de seus bens. Ficou terminantemente proibido qualquer tipo de proteção. Aos considerados suspeitos, foi dado um certo prazo para apresentarem provas de sua inocência, ou então seriam consideradas hereges, sujeitas as penas da Inquisição.

A INQUISIÇÃO COMO DEPARTAMENTO GOVERNAMENTAL DO PAPADO -
Em 1223, a inquisição foi declarada um departamento especial do governo do papa e entregue aos dominicanos com toda a autoridade, para procederem sem piedade contra todos os denunciados. Os bens confiscados aos hereges eram distribuídos aos informantes. Neste caso, como bem se poderá notar estes não faltavam, falsos ou verdadeiros. Era tão rigorosa a ação do sanguinolento tribunal que aos infelizes denunciados não era permitido conhecer o seu delator, nem sob que motivos teriam sidos denunciados. Com o decorrer do tempo a inquisição desenvolveu um regulamento próprio que orientava a maneira de conduzir o processo. Geralmente as investigações começavam com a publicação do O Edito da Graça , que convocava a população local a confessar suas faltas ou denunciar as alheias. Qualquer tipo de denuncia era acolhida, até mesmo através das cartas anônimas. Vivia-se uma época de pavor e sobressaltos, cada um temendo ser denunciado anonimamente pelo outro, nesta época em que a maior maldade parte daqueles que se diziam representantes do Senhor Jesus aqui na terra. As penas eram as mais variadas possíveis. Tortura, trabalho forçado, degredo ou morte. Havia ainda as penas infamantes.

O PAPA GREGÓRIO IX e A FUNDAÇÃO DA INQUISIÇÃO – algumas vezes a heresia era considerada uma desobediência política, tal qual no direito romano. Em 1208, Ariberto, arcebispo de Milão, descobriu que um grupo de hereges havia se reunido no território de Asti, no Castelo de Monforte, ele tomou este castelo de assalto, surpreendeu-os e os levou presos para Milão, onde mandou queima-los. Restabelecido o direito romano, acharam-se neles as bases para as perseguições dos infiéis. Em 1184, num Concílio em Verona, o papa Lúcio III, ordenou aos bispos que se informassem sobre as pessoas suspeitas de heresia distinguindo-as em quatro categorias: os acusados, os convencidos, os penitentes e os relapsos. Pode-se dizer que o papa Gregório IX organizou a verdadeira Inquisição, em 1233. ele tirou a instrução do processo dos bispos e deu aos irmãos pregadores.
Foi o bispo de Tournay, legado do pontífice, que estabeleceu dois inquisidores em todas as cidades que existiam conventos dominicanos. Assim, o domínio da inquisição passou a ser mais abrangente, alcançando toda a esfera do poder secular e religioso, com exceção do papa e de seus legados da hierarquia superior. Quando chegavam a uma cidade, o inquisidor avisava as autoridades e convidava-as a comparecer. Então prestavam o juramento de executar todos os decretos contra todos os “hereges” de procura-los e entrega-los ao braço forte do inquisidor. O que desobedecesse às ordens da Inquisição era excomungado. O inquisidor tinha também o poder de colocar a cidade sob interdito. Apresentado o réu, era colocado na prisão incomunicável, e usavam-se todos os recursos para pressionar o “herege” a confessar:
As chicanas, as torturas e os suplícios mais atrozes. Temos muito freqüente vezes de deplorar semelhantes horrores, que por fim adquiriram à igreja mais detratores do que lhe tiraram.
Isso é uma verdade e ficou provada com o passar do tempo. O descrédito da Igreja Romana caiu e a debandada geral são conseqüências dos erros e de sua falta de visão no passado. Hoje, ele se encontra em uma situação que os padres consideram calamitosa. A maioria dos que se dizem católicos são indiferentes a religião, e muitos foram batizados em criança, mas são ateus declarados. Os templos andam vazios. Os seminários entraram em grande crise depois da realização co Concílio Vaticano II; o sincretismo avança a passos largos, e Hans Kung, teólogo alemão acatadíssimo, afirma que o número de pessoas que abandonam a igreja é cada vez maior, o que no futuro implicará em graves conseqüências para a instituição.
Desejamos sinceramente que a hierarquia se volte para Jesus e viva plenamente o evangelho. Já dissemos que Jesus morreu para salvar o homem, mas este insiste em pertencer à instituição, que não se identifica com as Escrituras Sagradas. Portanto, a Igreja Católica está sofrendo as conseqüências.

FOCALIZANDO A O TRIBUNAL DA “SANTA” INQUISIÇÃO

N
ormalmente, diz-se que a Inquisição começou com Teodósio, em 388, quando ele propôs e o senado romano aprovou a Lei que tornava o catolicismo a única religião do Estado. Tal fato originou uma grande perseguição em toda parte dos não-católicos. Na verdade a última perseguição dos imperadores romanos aconteceu com Diocleciano e acabou em 303. depois veio um período em que os cristãos se degladiavam, até a oficialização do cristianismo, em 381. temos agora a perseguição dos católicos contra os cristãos. Isto significa que o cristianismo ainda não teve um período longo de paz. Perseguia-se com qualquer nome e sob qualquer pretexto, tornando-se um hábito. Então a perseguição ganhou um nome no fim do século XII (1183).
O Concílio de Verona, em 1184, nomeou bispos como “inquisidores ordinários”, visitar duas vezes por ano as paróquias supostamente “hereges” pertencentes as suas dioceses. Mas como no século seguinte as heresias continuaram a proliferar, a igreja decidiu enviar eclesiásticos menos graduados para os “lugares infectos”, com a finalidade de lutar contra os “inimigos do catolicismo”.
No IV Concílio de Latrão, em 1215, decretou um maior envolvimento com os parâmetros da Inquisição, ordenando que o governo secular das nações cristãs confiscassem os bens dos “hereges”, sob pena de eles próprios serem excomungados e destituídos de seus bens, com um prazo de um ano para apresentarem provas de sua inocência.
César Cantu, célebre historiador católico, autor de uma longa História Universal, diz que depois da morte de Raimundo VI, de Tolosa, que perdeu seus bens para Simão Monfort, na França, seu filho Raimundo VII, assinou em 1222, um tratado humilhante no qual prometia fidelidade a Igreja católica e ao Rei. Este tratado ordenava a ele guerrear contra os hereges, ainda que fossem amigos ou parentes seus, procura-los rigorosamente , pagando uma importância a todo aquele que prendesse um herege, condenado pelo tal bispo. Cabia-lhe a função de banir de suas terras os judeus, pagar os dízimos e indenizar a igreja pelos danos causados aos eclesiásticos. Então, um cardeal acompanhou Raimundo VII de Tolosa para fiscalizar o cumprimento do tratado. Com o número de clausulas se achasse a extirpação da heresia reuniu-se um Concílio
Foi nele resolvido que os bispos nomeassem, em cada paróquia, um sacerdote e dois ou três seculares, os quais juraram procurar os hereges e indica-los aos magistrados, que todo aquele que ocultasse algum fosse punido e a casa que o encontrasse fosse arrasada. Tal é a origem do Tribuna da Inquisição.
Este tribunal foi organizado pelo Papa Gregório IX. Os legados tinham plena liberdade de ação. Mas algum tempo depois, julgando que os bispos não eram suficientemente enérgicos, Gregório IX entregou o tribunal aos dominicanos, não querendo que os considerassem indulgentes, usaram tanto rigor que se tornaram responsáveis pelos crimes cometidos pela inquisição. Mas foi o papa Inocêncio IV quem criou os três primeiro tribunais da Inquisição, nas províncias italianas de Lombardia, Romanha e Marca de Ancona. Os bens confiscados aos hereges eram repartidos entre os denunciantes. Depois a Inquisição aprimorou um regulamento especial que orientava os inquisidores na condução do processo.

O MALDITO EDITO DA GRAÇA – este era regra geral, quando se recebia qualquer tipo de denúncia, até mesmo cartas anônimas, mas ao acusado era vetado saber o conteúdo da acusação ou mesmo do seu delator. As penas eram variadíssimas, os instrumentos de tortura de toda a espécie, como o esmaga-polegar, para dar inicio e amedrontar o acusado. O esmaga-joelho, o esmaga-cabeça, a cadeira inquisitória, a maquina de estiramento, a virgem e tantos outros de invenção diabólica. Quando acontecia de um revel ser condenado ou uma pessoa morrer na prisão, e por isso não ser conduzido a uma execução física, esta era realizada em efígie. Também eram dadas penas infamantes, que humilhavam e arrasavam psicologicamente o indivíduo, destruindo por completo sua personalidade.

O CONFISCO DOS BENS – a primeira coisa que acontecia ao acusado era o confisco dos seus bens. Estes passavam pelo Santo Ofício, permitindo assim a manutenção das despesas gerais dos tribunais. Anita Novinsky registra que só bens dos cristãos novos acusados pela inquisição, no breve tempo que o tribunal de Lisboa teve jurisdição no Brasil. Anita relaciona minuciosamente centenas de casos encontrados em pesquisa feita nos arquivos:
Tudo que o réu possuía, tanto móvel como imóvel, era apreendido pelo fisco e seqüestrado no ato de sua prisão antes de ser provada a culpa. Se fosse absorvido, esses bens seriam restituídos, após a dedução de todos os gastos ocorridos , desde as despesas pessoais, alimentos, roupas, etc., até o pagamento dos funcionários participantes deste processo. Na prática esta medida nunca funcionou, e recolhida pelo fisco, a fortuna ficava sempre perdida para o réu e seus descendentes.

REGISTRO DO CONFISCO DOS BENS NO SÉCULO XVIII NO BRASIL -
Só como exemplo, transcreveremos um trabalho da profª Anita Novinsky os bens confiscados a Diogo Roiz Moeda, preso no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 1712 e julgado em Lisboa em julho de 1713:
Disse que tinha uma plantação de mandioca e umas terras que lhe largou Antonio Albernaz que valeriam seiscentos ou setecentos mil réis, mas que na entrada dos franceses tudo perdeu; Um escravo chamado Pedro, que valeria duzentos mil réis; uma escrava de nome Gracia, casada com o dito Pedro que valeria setenta mil réis; um moleque de nome Joseph que valeria duzentos mil réis; um negro da Mina, que valeria cento e quarenta mil réis; um negro doente que pouco ou nada valeria chamado Amaro; um negro de mina chamado André, que valeria cento e setenta mil réis; uma negra da costa da mina chamada Isabel, que valeria oitenta mil réis; uma negra crioula de quinze anos chamada Apolônia, que valeria duzentos mil réis moveis da casa: três caixas de vinhático, um leito de jacarandá, sete tamboretes – três de couro e quatro de pau, e é devedor de Francisco de Campos da Silva de cento e cinqüenta mil réis procedidos de umas terras que lhe comprou; foices, enchadas, machados, que valeriam oito mil réis; um catre de pau branco que valeria três mil e duzentos réis; dois estrados de pau branco que valeriam dez mil réis; uma espingarda que valeria quinze mil réis; uma espada e adaga que valeriam quinze mil réis, isto é o que mais tinha a respeito do inventário.
Como se vê, tiraram tudo do pobre denunciado. Muitas vezes o cidadão era abastardo, como aconteceu com muitos senhores de engenho do nordeste, do dia para noite ficavam em perfeita miséria.
Como os processos corriam em segredo, não faltavam denunciantes, quiçá por qualquer motivo. Sabendo como é vil a pessoa humana, capaz de qualquer baixeza por dinheiro e até uma simples inveja, fácil calcular o numero de infelizes que tenham purgado suas penas em prisões por sobrarem espiões ou falsas testemunhas. Jamais um acusado soube a razão de sua prisão ou o nome do seu acusador. Teria de adivinhar o motivo. Temos notícias de pessoas que voltavam diversas vezes aos instrumentos de suplício, implorando, pedindo pelo amor de Deus, dizendo que confessaria tudo que eles quisessem, contanto que parassem os tormentos, mas não obtinham resposta. Não havia respeito a dignidade das pessoas, idade, profissão ou ao sexo. Muitos padres apodreceram nos cárceres.

O SISTEMA PENITENCIÁRIO – as prisões eram infectadas. Eram fornecidas: uma bilha de água a cada oito dias e uma vasilha para as necessidades fisiológicas. Os prisioneiros viviam na mais completa imundícia, sem o menor cuidado de higiene, convivendo com os vermes, que muitas vezes excedia-se dos vasos, onde as fezes das infelizes apodreciam. Mas como dissemos, não eram só os evangélicos e judeus que sofriam esses horrores. Muitos padres e católicos, que descuidavam da disciplina e as vítimas de denuncias. Mas como resistir aos suplícios sem denunciar alguém? Na relação estarrecedora dos mais de trinta mil condenados em Portugal, encontramos pais conduzidos a morte e filhos chorando de remorso por tê-los denunciado.
Encontramos também um livro de um padre, que escreveu inocentando a Inquisição, um trabalho cheio de incoerências, esclarecendo que, não só os hereges, mas os católicos estão sujeitos a perseguição da Inquisição.
Os católicos hereges podem ser perseguidos pela Inquisição por faltas exteriores e sociais relacionadas com a heresia, exemplo, favorecer aos hereges.

FOCALIZANDO O JURAMENTO DOS JESUÍTAS

“E
u ..... em presença de Deus Onipotente, da Bem-aventurada Virgem Maria, do bem-aventurado São João Batista, São Paulo e São Pedro, superior geral da Companhia de Jesus, fundado por Santo Inácio de Loyola, no pontificado de Paulo III, e continuada até hoje pelo ventre da Virgem Maria, mãe de Deus e por Jesus Cristo DECLARO E JURO QUE SUA SANTIDADE O PAPA E O VIGARIO DE CRISTO É O ÚNICO VERDADEIRO CHEFE DA IGREJA CATÓLICA OU UNIVERSAL EM TODA A TERRA, que em virtude das chaves para abrir e fechar dadas a sua Santidade por meio de meu Salvador Jesus Cristo, tem ele poderes para depor os reis hereges, príncipes, estados, comunidades e governos e destruí-los sem que fique algum”. Assim pois, COM TODAS AS MINHAS FORÇAS DEFENDEREI, doutrina, os direitos e costumes de Sua Santidade contra todos os usurpadores heréticos ou autoridades protestantes, especialmente da igreja Luterana da Alemanha, Dinamarca, Noruega, Holanda e Suécia e os demais ramos da mesma especialidade estabelecidos na Irlanda ou no continente americano e de todos os aderentes a quem se considera hereges e usurpadores, inimigos da Santa Madre Igreja de Roma.
“Renuncio e desconheço d’ora em diante qualquer compromisso como dever para qualquer Rei herege, Príncipe ou Estado, chame-se protestante ou liberal, e a obediência a qualquer de suas leis, magistrados ou oficiais”.
Declaro e igualmente digo, que as doutrinas das igrejas da Inglaterra e Escócia dos Calvinistas, Huguenotes ou outros nomes de protestantes ou Maçônicos são condenados e assim todos aqueles que não a abandonarem.
“Declaro, igualmente, que ajudarei, assistirei e aconselharei todo e qualquer agente de Sua Santidade, em qualquer lugar onde esteja, seja na Suíça, Holanda, Irlanda, Alemanha ou América, ou qualquer outro reino ou território aonde vá farei TUDO O QUE PUDER PARA EXTIRPAR AS DOUTRINAS HERÉTICAS, protestantes ou Maçônicos, PARA DESTRUIR OS SEUS PRETENSOS PODERES LEGAIS e de qualquer espécie que sejam”.
“Prometo e declaro que entretanto, me é permitido figurar como membro de qualquer religião herética com o fim de propagar os interesses da Santa Madre Igreja, guardarei e não revelarei os segredos dos agentes, seguindo suas instruções, não os divulgando direta ou indiretamente por palavras, escritos ou qualquer outro modo, não agindo senão para ajudar tudo que me seja proposto pedido e o que se me ordene por intermédio de Ti, meu Santíssimo Padre ou por ordem desta Sagrada Ordem”.
“Declaro mais e prometo que NÃO TEREI OPINIÃO E VONTADES PRÓPRIAS, NEM RESERVA MENTAL ALGUMA, senão que como cadáver, obedecerei incondicionalmente a cada uma das ordens que receba dos meus superiores da milícia, do Papa e de Jesus Cristo”.
“Que irei a qualquer PARTE DO MUNDO ONDE SE ME ENVIE, às religiões do Norte, aos espessos montes da Índia, aos centros da civilização da Europa ou às silvestres cabanas dos bárbaros selvagens da América, SEM MURMURAÇÕES OU QUEIXAS, SEREI SUBMISSO A TUDO O QUE ME SEJA ORDENADO”.
“Prometo e declaro que farei, quando se me apresente a oportunidade, guerra sem quartel, SECRETA OU ABERTAMENTE,contra os hereges, Protestantes ou Maçãos, tal como se me ordene fazer, EXTIRPÁ-LOS-EI DA FACE DA TERRA, QUE NÃO TOMAREI EM CONTA, IDADE, SEXO OU CONDIÇÃO, QUE ENFORCAREI, QUEIMAREI, DESTRUIREI, ENVENENAREI, CEGAREI, ESTRANGULAREI VIVOS A ESSES INFAMES HERÉGES, ABRIREI O VENTRE DAS SUAS ESPOSAS E BATEREI COM A CABEÇA DOS SEUS FILHOS NAS PAREDES, AFIM DE ANIQUILAR ESSA EXECRANDA RAÇA”.
“Que quando não posso fazer isto abertamente, empregarei secretamente a taça de veneno, a estrangulação, o aço do punhal, a bala de chumbo, sem ter consideração a honra, a classe, dignidade, autoridade das pessoas, quaisquer que sejam suas condições de vida pública ou privada, tal como me tenha sido ordenado em qualquer tempo pelo agentes do Papa ou pelo superior da irmandade do Santo Padre da Companhia de Jesus, E PARA ISSO CONSAGRO-LHE TODA MINHA ALMA E TODAS AS MINHAS FORÇAS FÍSICAS, e com a adaga que agora recebo, escreverás o meu nome com sangue em testemunho deste juramento; se manifestar falsidade em minhas determinações, podem meus irmãos e camaradas, soldados da milícia do Papa cortar as minhas mãos e os meus pés, abrir o meu ventre e nele queimar enxofre e aplicar-me todos os castigos que se possam conceber e executar sobre a terra e que a minha alma seja torturada pelos demônios nas chamas infernais para todo o sempre.
“Que Darei o meu voto sempre a um dos Cavaleiros de Colombo, de preferência a um protestante, a um maçom e que farei com que todo o meu partido faça também; se dois católicos estiverem contendendo, verei qual é o mais devoto a Santa Igreja e lhe darei o meu voto”.
“Não acatarei nem empregarei um protestante, se estiver em minhas faculdades tratar ou empregar um católico. Colocarei uma jovem católica no seio de famílias protestantes para semanalmente prestar informações sobre movimentos familiares dos hereges”.
“Que me aprovisionarei de armas e munições a fim de estar pronto quando me seja ordenado defender a igreja, já individualmente, já na milícia do Papa”
Tudo o que juro pela Bendita Trindade e pelo Bendito Sacramento que vou receber, executarei e mais, cumprirei esta ordem e juramento”.
(Si cum Jesus itis, non cum jesuitis)

FOCALIZANDO A QUESTÃO JUDAICA E A INQUISIÇÃO

N
os séculos XIII e XIV as terríveis perseguições dirigidas aos judeus em quase toda a Europa tinham levado na França e Inglaterra à sua expulsão destes países. O movimento demorou a chegar na Península Ibérica, onde judeus e cristãos viveram em paz lado a lado até o final do século XIV. Os israelitas podiam ali exercer livremente a sua profissão, dedicar-se a estudos científicos e adorar o seu Deus. Mas por volta de 1390, também ali se desencadeou contra eles o ódio popular. Estes judeus dobraram-se perante a tempestade, e talvez pela primeira vez na história do Povo de Israel, abjuraram em massa sua fé e deixaram-se batizar. Cauculou-se que só no Reino de Aragão, se converteram assim ao catolicismo mais de 100.000 judeus. Em Castela o numero de convertidos foi, pelo menos, igual. Assim nasceu uma nova classe de cidadãos, que se deu o nome de Marranos.
Após esta conversão em massa, acalmou-se a tormenta, pois os cristãos dessa época não queriam mal ao povo judaico, mas sim a religião mosaica. Os judeus de Espanha podiam portanto encarar o futuro confiadamente: depois de sua conversão gozavam os mesmos direitos que os espanhóis. Podiam se tornar sacerdotes, funcionários públicos, monges e não tardaram a ocupar as mais altas posições na Corte, no Governo e na Igreja. Por meio de casamento, logo se aparentaram com os burgueses espanhóis mais considerados e a sua importância não deixou de aumentar, devido em grande parte às riquezas que acumularam no decorrer dos séculos.
Mas o sucesso de uns suscitaram a inveja de outros. Depressa começaram a circular boatos em Aragão e Castela a respeito destes cristãos-novos. Afirmavam que, na realidade, não eram cristãos e que nunca deixaram de sacrificar em segredo ao seu antigo culto.
Os monges das ordens mendicantes, lançaram do alto do púpito, vivas diatribes contra os judeus, esses corruptores do povo e exigiram inquéritos rigorosos e medidas enérgicas para salvaguardar a fé cristã. Por volta de 1460, um alto prelado lamentava-se da seguinte forma: “este país está cheio de heréticos, judeus e mouros. Senhor que a tua mão tutelar proteja este rebanho, porque os lobos agora estão dentro do curral”.

A ATITUDE DA RAINHA ISABEL – a atitude da rainha Isabel para com os judeus não era só ditada pela sua concepção de religião. Ela sabia que os judeus convertidos estavam entre os mais ricos dos seus súditos. E todos aqueles condenados por heresia teriam seus bens confiscados, o que consistia uma considerável fonte de renda para a coroa. O Rei Fernando de modo diferente. Em 1469 unira seu destino ao de Isabel de uma forma tão romântica transformara-se num monarca poderoso e prudente. Com uma reputação de príncipe frio e inacessível, político hábil e também desprovido de escrúpulos. O Rei da França, Luiz XII, queixou-se de ter sido enganado, por duas vezes, por ele. Quando estas palavras chegaram aos ouvidos do monarca este respondeu, cheio de cólera: “Este Bêbado está mentindo” Não forma duas, mas dez vezes que consegui engana-lo!
Desde que Isabel decidiu atacar os cristãos-novos, Fernando não se opôs. A Inquisição seria para ambos o instrumento dos mais cômodos.
A Inquisição não era uma instituição de origem espanhola. Desenvolvera-se na França, no decurso da luta que a igreja tivera que travar no século XII, contra as tendências heréticas. Tomara a sua forma definitiva em 1215, no Concílio de Latrão, que decidiu que as autoridades seculares tinham de executar os veredictos dos tribunais eclesiásticos contra os heréticos. Pouco depois, foi decretado que qualquer herético que se recusasse a abjurar os seus erros seria queimado vivo. Desde então, a Inquisição tornara-se uma poderosa arma para a conservação da unidade da fé. Sob a direção dos dominicanos, a Inquisição estendeu-se a França, Itália, Alemanha e Inglaterra e alguns outros países. Até aí não conseguira entrar na península ibérica. Quando Isabel e Fernando consentiram que a Inquisição se estabelecesse nos seus reinos, puseram como condições que esta instituição ficaria sob o seu controle direto e os bens dos condenados passariam para a coroa. Em 1480 a inquisição começou a sua ação na península.
Três anos mais tarde, o confessor de Isabel, o dominicano Tomás de Torquemada, tornara-se o súdito mais poderoso da rainha. Usava o título de Grande Inquisidor e nada se fazia sem a sua aprovação.

O SUPLÍCIO PARA O SUSPEITO DE HERESIA – se um suspeito de heresia era preso, conduziam-no perante um inquisidor, que o exortava a reconhecer os seus erros. Se o preso se recusava, era sujeito a um interrogatório. Infeliz o acusado que se contradissesse: a tortura, saberia arranca-lhe confissões não equivocas. Era então entregue nas mãos do carrasco. Além do inquisidor, assistiam a operação um representante do bispo local e um escrivão, encarregado de anotar da forma mais rigorosa o que via e ouvia nesta ocasião. Um dos suplícios que a Inquisição foi buscar as técnicas usuais de tortura da época foi em despir o prisioneiro e estende-lo num cavalete de suplício. Era uma vez exortado, pelo amor de Deus, a reconhecer os seus erros. Se persistia as suas negativas, a tortura era aplicada sob um plano bem estabelecido. A lei proibia a sua aplicação mais de uma vez a cada preso, mas os torturadores, caso não tivesse o objetivo alcançado, torneavam a lei declarando que a operação fora interrompida e recomeçaria mais tarde. A aplicação do sistema não tinha limite.
Assim foi se aniquilando o grupo dos cristãos-novos, que em tempos haviam sido tão influentes na Espanha. Os judeus receavam converte-se, com medo de cair nas mãos da inquisição.

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO NA ALEMANHA

D
epois da instalação dos três tribunais na Itália: Lombardia, Romanha e Marca de Ancona, tentaram também na Alemanha e diversos outros países. Mas o caráter, o bom senso e a antipatia a força da religião contratavam muito com as ardilosas astúcias, e os alemãs foram protelando, adiando. Finalmente acabaram rebatendo a idéia, ponderando suas sensatas raízes e os resultados dos tribunais instalados experimentalmente na Itália não lhes deixaram boa impressão. Os alemães conservavam com orgulho a sua independência de costumes. O mesmo orgulho das surpresas que aplicavam aos valorosos exércitos romanos.
O clero por sua vez, conhecia a nobreza dos sentimentos dos germânicos, mas era firme e teimoso nos seus propósitos. Haveria de lá instalar o seu tribunal. Tinha dado passos largos para a sua instalação e haveria prejuízos moral e material na sua desistência. Foi então que a Cúria lançou mão de todos os seus recursos. Prometeram aos alemães que o trabalho dos tribunais seria honesto, que não se intrometeriam nos assunto da administração civil, respeitariam as famílias e suas particularidades sob qualquer pretexto, que só teriam acesso aos crimes de heresia e seriam resolvidos sem a concessão e aprovação do Papa.
Foram vãs as tentativas de conseguir a aceitação. Em algumas cidades, onde tinham penetrado, foram expulsos e proibidos de efetuar transações comerciais sendo obrigados a retirar-se. Assim, desistiram de instalar tribunais na Alemanha.
Feliz Germânia, quantos males não poupaste assim a teus filhos?! Quantos vilipêndios não evitaste ao Supremo Criados Universal, à sua santa crença igualmente ao teu soberano e suas invioláveis Leis?!
A vista do insucesso nas tentativas de instalar os tribunais na Alemanha, Roma se voltou para a França. Infelizmente, a Alemanha não viu os seus moradores totalmente livres dos horrores das perseguições. Ela sofreu terrivelmente na chamada Guerra do Trinta Anos, de 1618 a 1648, quando grande parte do seu território foi devastada.
Depois vieram as lutas com Frederico, o Grande, e a Guerra dos Sete Anos. A influencia de Voltaire sobre o Rei da Prússia, Frederico produziu o ateísmo, que marcou época no século XVIII. A seguir veio a Guerra de Napoleão Bonaparte, dominando e segurando com mão de ferro o seu progresso.
O desenvolvimento do militarismo sob o comando de Hitler desencadeou uma perseguição religiosa nunca vista na história, quando pereceram nas câmaras de gás mais de seis milhões de judeus.’

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO NA FRANÇA

A
França foi o único grande Estado católico que o tribunal jamais conseguiu se instalar, apesar da Inquisição ter nascido e se desenvolvido ali. Houve um grande esforço da Cúria, mas foi ainda mais heróica a resistência do povo francês. Foram empregados todos os recursos e sutilezas. Marcou muito as primeiras décadas do século XIII, os horrores, a carnificina dos exércitos cruzados contra os Albigenses. Nesta época fez-se estarrecer todo o Languedoc e mesmo o mundo bárbaro com a impiedosa matança dos inocentes, para satisfação da vaidade do Papa Inocêncio III, num envolvimento de grandes e vergonhosas traições que marcaram o evento.
Contudo, houve ocasiões em que a vitória acenava às partes dos emissários do papa. Em algumas ocasiões, quando tentavam implantar os tribunais, chegaram a se considerar vencedores, mas tudo não passou de uma esperança vã.
Neste esforço gigantesco contra tão poderosa e avassaladora instituição, destacou-se um homem por seu valor, tenacidade, argúcia e capacidade de luta. Ele conseguiu que o Parlamento francês aprovasse o Edito de Rosmarantin, de sua autoria, o qual parecia favorecer o catolicismo. Este edito determinava que:
Tudo quanto os papas queriam que pusessem em prática a Inquisição contra os hereges, porém com a notável diferença de que, sendo a igreja quem devia julgar semelhantes criminalidades, o edito dava a igreja esta autoridade, mandando que os bispos fossem os únicos que delas conhecessem e julgassem. Não era isto que pretendiam os católicos franceses, que exigiam que o tribunal fosse formado pela exaltação do partido. Porém era isto que a igreja mandava, a França carecia, e a firmeza de um só homem decidiu.
O edito então foi registrado, e a Inquisição e os que lhe eram favoráveis ficaram alijados para sempre. Esse famoso edito soube assim destruir todas as pretensões da Cúria e livrou também os franceses da argúcia, sagacidade e ambição desmedidas do Tribunal da Inquisição. Seu autor chamava-se Miguel do Hospital.
Embora não organizada em um tribunal, as perseguições sucedidas, agitou a França. São conhecidos os movimentos protestantes por ocasião da Reforma e o Movimento dos Reis que foram seus perseguidores. Houve grande mortandade.
CATARINA DE MÉDICIS ASSUME O PODER – com a morte de Henrique II, 1559, elevou Catarina de Médicis e os Bourbons a chefia do partido protestante. Em Nantes, os protestantes formaram uma conspiração e, traídos por uma delação, houve um tremendo massacre. O infante Francisco II morreu em dezembro de 1560. o filho de Catarina,Carlos IX, com dez anos de idade, tornou-se herdeiro. Ela assumiu a regência com o auxílio dos Bourbons e resolveu livrar-se dos Guises, outra família muito importante da época. Por motivos políticos, a regente favoreceu os protestantes por algum tempo. Os chefes huguenotes exigiram, em vão, a tolerância religiosa, a expulsão dos Guises, que lhe fazia oposição, a abolição das ordens religiosas e o confisco parcial das propriedades da igreja católica.
A política tomou novos rumos, e os protestantes foram novamente massacrados. Resolveram, então, pegar em armas, a fim de conseguirem condições moderadas de paz, mas foram traídos por Catarina e os Guises, que, na eventualidade, aliara-se.
A paz de Saint Germain, em agosto de 1570. concedeu aos huguenotes uma liberdade limitada. Podiam pregar fora de Paris e em mais quatro cidades determinadas. Esse tratado, humilhante para quem já estivera no apogeu, obrigava ainda a entregar as igrejas que haviam tomado e vetava a construção de outras. Eram proibidos de se reunir em Sínodos e de tomar parte em qualquer organização militar. Mas essa tolerância, mesmo limitada, durou pouco tempo.

A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU - Catarina, cuja política fora sempre de contemporizar e equilibrar as forças dos partidos, percebendo que os católicos ganhavam terreno, consentiu em convidar o Almirante Coligny, que era huguenote, para tomar parte no governo. Por algum tempo, o almirante, foi tratado pela regente com muita atenção, passando a exercer influencia sobre o fraco Carlos, na ocasião com vinte anos. Quando foi preparada a festa para o casamento de Henrique de Navarra com a irmã do rei, Catarina, não querendo perder a influencia, formulou com Henrique, dos Guises, uma cilada contra Coligny.; no dia 18 de agosto 1572, por mandato de Catarina, um atirador feriu o almirante com um tiro, sendo ele a primeira vítima do planejado massacre de 24 de agosto de 1572. Catarina tinha ido muito longe, e não podia voltar atrás. Ela já havia planejado o futuro de seu filho Henrique III, a duquesa de Neumours e seu filho, também chamado Henrique de Guises, o cunhado da duquesa e o duque de Aumale um masscre para o dia de Soa Bartolomeu, 24 de agosto de 1572.

O CASAMENTO ENTRE CATÓLICO E PROTESTANTE - Um grande numero de protestantes estavam em Paris para a festa de Henrique de Navarra com a princesa Margarida. O plano dos conspiradores era assassinar somente Coligny. Como a tentativa falhara na primeira vez, saindo ele levemente ferido, e sabendo eles a grande influencia exercida sobre o jovem rei, perceberam o grande perigo que se encontravam. O rei visitara o almirante ferido e se inteirava dos planos dos conspiradores, num acesso de raiva, revelou o que sabia. Então tomaram a decisão de assassinar o Almirante imediatamente. Os intrigantes acusaram falsamente os huguenotes de pretenderem matar o próprio rei e, diante disso, autorizou a morte a traição do seu amigo, herói nacional, grande defensor de Saint-Quetin, Almirante Gaspar Coligny.

O MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU - Então, comandados pelos irmãos Guises, vinte mil milicianos, ajudados por mercenários suíços a soldo dos próprios comandantes assassinaram primeiro o Almirante e alguns principais chefes protestantes. As casas dos huguenotes tinham sido previamente marcadas com cruzes brancas, e os assassinos, para serem reconhecidos entre si, traziam faixas brancas. Só em Paris foram mortos dez mil, e nas províncias o numero teria chegado a trinta mil.
Sully, o primeiro ministro de Henrique IV, que estava inteirado, afirma que caíram sem vida setenta mil pessoas... se este ato não foi instigado por Roma, o papa e a Cúria estavam pelo menos ciente que ia se realizar. Houve iluminação em Roma e para festejar o acontecimento só canhões do Castelo de Santo Ângelo deram salvas, organizou-se uma procissão que foi até a igreja de São Marcos e cunhou-se uma medalha para comemorar o Hugonotorum Strages... e diz-se que o corrompido Felipe II, sorriu pela primeira vez e última vez na sua vida quando a noticia lhe constou...

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO NA ESPANHA

A
Espanha foi o país que mais sofreu a influencia da Inquisição. A figura central de todos os malefícios tinha o nome de Torquemada (1420-1498), e o seu sucessor, não menos cruel, foi o Cardeal Ximenes. Ambos saídos das hostes infernais, mais feras do que homens e responsáveis pelos maiores flagelos que a humanidade já sofreu nas mãos humanas – sobretudo os judeus, que deveriam causar orgulho em qualquer nação onde morassem, foram maltratados, expulsos e serviam gratuitamente de escárnio a população. Além disso, recebiam os pejorativos de Marranos e Cristãos-novos.
Pobre Espanha, grande vítima, sofreu e até hoje ainda sofre os malefícios de instituições dirigidas por desalmados. De poderosa que foi, dominando quase toda a Europa e as partes conhecidas do Novo Mundo, no inicio do século XVI, veio a tornar-se a ultima nação em desenvolvimento e alfabetização.

QUANDO TUDO COMEÇOU – tudo começou em represália a D. Pedro II de Aragão, porque ele ousou combater as forças de Inocêncio III, que se dispuseram a aniquilar os albigenses. D. Pedro, o rei, tomou o partido dos oprimidos combatendo ao lado do seu cunhado o Conde Raimundo. Tão logo este herói morreu em combate em combate, os emissários do papa apressaram-se atravessar as fronteira para oprimir os aragoneses, que foram considerados hereges a partir de então, como se os súditos fossem responsáveis pelos atos de seus soberanos.

REAÇÃO E ERRO DOS ESPANHÓIS – deste modo, declarou-se a população que seria considerados traidores da pátria todos aqueles que recebessem ou dessem asilo a um emissário do papa com a função de inquisidor. Chegou a instituir um premio para quem prendesse um deles. Assim, os inquisidores se tornaram objeto de desprezo, e o povo, zombando de suas sentenças, forçava as prisões e libertavam os cativos.
O maior erro dos espanhóis foi de não ter expulso os inquisidores do país, onde cresceram a sombra de suas artimanhas e vieram a se firmar com o passar do tempo. Porém, a Inquisição só tomou conta do país, quando, no esforço de unirem Aragão e Castela, casaram-se Fernando V e Isabel. Na época, sentava-se no trono da igreja o papa Sisto IV, e os soberanos pediram ao papa uma bula para a instituição do tribunal da inquisição, a fim de castigar os mouros e os judeus. O tribunal começou em Aragão e , dentro de pouco tempo, se espalhou por toda a Espanha.
Atribui-se tal fato ao ódio votado aos judeus, que foram assim expulsos de todo território espanhol, e ao combate aos mouros, que procuravam eliminar o catolicismo com a introdução de uma nova religião. Porém, atrás dessas suposições escondem-se outros motivos.

A UNIÃO DOS REINOS DE ARAGÃO E CASTELA - a historia nos revela a figura de Henrique IV, de Castela, como um soberano incapaz e devasso que foi deposto; sua mulher, Joana , sem uma explicação plausível foi considerada louca e, incapaz de assumir o trono. Desta forma, assumiu justamente Isabel, casando-se com Fernando e unindo os reinos de Aragão e Castela. A História nos conta:
D. Henrique IV, não tendo agradado ao clero de seu reino, foi deposto com efeitos de conjuração tramada pelo arcebispo de Toledo. A filha procriada de sua segunda união matrimonial, com D. Joana de Portugal, foi julgada adúltera e por isso excluída da sucessão da coroa. D. Afonso, irmão do destronado soberano, foi proclamado rei de Aragão, mas seu reinado foi curto. D. Henrique não duvidou, fazendo uma vergonhosa renúncia de seu legítimo poder real, e o espólio, passou a ordenar a cabeça da infanta D. Isabel, que para isso tinha sido preparada desde a infância por Torquemada.
Não é difícil concluir que foram por ele maquiavelicamente forjadas essas estranhas sucessões, impedimentos e renuncias e a loucura da pobre Joana.
Torquemada, tão logo tomou conhecimento dos encaminhamentos de seus planos, tomou o hábito de São Domingos e revelou-se um pregador. Depois, conseguiu da princesa, como seu confessor, a promessa de estabelecer a Inquisição no país quando fosse coroada.
Supomos que Torquemada tenha urdido por essa tramóia e também que ele se preparara psicologicamente a rainha Isabel. E para completar o seu sonho, foi proclamado Inquisidor-Geral, razão do processamento de mais de cem mil pessoas e da destruição implacável de cinco ou seis mil na fogueira, o que tornou a ordem de São Domingos riquíssima pelo espólio das vitimas. Quando ele morreu, em 1498, substituiu-o o cardeal Francisco Ximenes, que não deixou de bem cumprir as maldades e perversidades de seu antecessor.
Depois reinou Carlos V, que esteve no poder da poderosíssima Espanha do século XVI, praticamente senhor de todo o mundo conhecido. Era ferrenho defensor do catolicismo e de suas instituições:
No principio do período da Reforma, os Países Baixos estavam diretamente sob o governo imperial. Carlos V empregou todos os meios ao seu dispor para suprimir as atividades reformistas. Durante cinqüenta anos as fogueiras da perseguição arderam e milhares de crentes foram martirizados...

A VERGONHA E O HORROR DA ESPANHA – é muito triste saber o quanto a Espanha declinou. Uma nação que foi tão poderosa no século XVI, tendo dominado toda a América do Sul, América Central, e boa parte da América do Norte. Países baixos, ilhas do Pacífico, algumas províncias da Itália, Índias Ocidentais, sendo Carlos V, imperador da Alemanha, e seu filho Felipe II de Espanha, sendo juntamente Felipe I de Portugal possuindo uma grande Armada e um poderoso exército. Contudo, os seus soldados eram detestados por toda parte, e seus capitães, temidos pela falsidade e prática da traição. Esse país rico, em todos os sentidos, decaiu a ponto de se tornar a nação mais atrasada da Europa no fim do século XIX, chegando a possuir 80% de analfabetos.
Esta instituição, da qual o padre Torquemada foi rei em perversidade, deixou lamentavelmente uma estatística assustadora. Em três séculos e meio de sobrevivência, condenou 350 mil pessoas, o correspondente a três pessoas por dia, prova que ele se alimentava de sangue humano.

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO NA INGLATERRA

E
nquanto se estabelecia a inquisição na Espanha, os papas tentaram a todo custo instalar tribunais também na Inglaterra. Já havia a tendência do rei se tornar o cabeça da igreja, cansado do domínio e imposição dos papas e da intromissão nos negócios do reino. O povo inglês não concordou com a sua instalação. Como já acontecera na Alemanha e na França, e a Inglaterra abriu as suas portas para todos os que quisessem entrar, vindos das terras onde grassava a perseguição, principalmente os que saiam da península ibérica. Deste modo o país alcançou a dianteira pelo desenvolvimento, enriquecendo em conseqüência do aprimoramento da mão-de-obra.

O TEÓLOGO WYCLIF – este teólogo foi um dos líderes da corrente antipapal e anticlerical. Ele introduziu o evangelho na Inglaterra e teve muitos seguidores. Muitas pessoas possuíam porções da Bíblia que ele ia traduzindo. Havia portanto muitos evangélicos no país. E pelo movimento reformador, Wyclif mereceu uma bula especial do papa Gregório XI, em 1370. mas não foi por esse papa condenado, providencialmente, morreu em 1378. Elegeram-se dois papas rivais, que se degladiavam. Isso foi o motivo maior para o pregador se inflamar e continuar a pregação, e quando morreu deixou muitos seguidores. Quarenta anos depois da morte de Wyclif, os padres, reunidos em concílio, condenaram seus ossos a fogueira, os quais foram cuidadosamente desenterrados e queimados.
A inquisição era assim... não conhecia a palavra perdão, nem para os mortos. No mesmo ano em que Henrique VIII subiu ao trono, 1509, um bispo papista de Londres moveu uma perseguição aos evangélicos. Naturalmente que eram seguidores de Wyclif. Essa perseguição se estendeu até 1537. nas proximidades de Lincoln, o bispo da diocese promoveu também muitas perseguições, apoiado por uma carta do Rei Henrique VIII.

A TRADUÇÃO DA BÍBLIA POR TYNDALE – nesta ocasião apareceu Tyndale, homem que colocou no seu coração o empenho de traduzir as Escrituras Sagradas para a língua do povo. Peregrinou pelas grandes cidades buscando apoio e começou a ser perseguido. Quando conseguiu traduzir uma porção da Bíblia, foi preso e entregue a Inquisição, mas sua obra já havia chegado as mãos dos ingleses. Os escritos foram apreendidos e queimados publicamente em Oxford, Cambridge e Londres, e ele mesmo, Tyndale, foi queimado em 1536.
Após Tyndale surgiu Hugo Latimer, que fora obstinado papista e perseguidor da nova doutrina, mas se convertera pela pregação de um humilde operário chamado Bilney. Então o padre, ex-papista e grande pregador Latimer foi também lançado na prisão, e muitos que o haviam acompanhado na pregação das Boas Novas foram martirizados.

O SOFRIMENTO DE ANA KINE – Ana Kine foi presa e instada a renunciar sua fé. Persistiu e foi mandada para a tortura no cavalete, com os ossos moídos foi convidada novamente a renunciar. Continuou persistindo. Foi levada para a prisão para ser queimada. Não podendo manter-se de pé, devido aos ferimentos sofridos no cavalete, foi amarrada com uma corrente. E foi lhe oferecido o perdão se renunciasse. Ela respondeu que não teria chegado até ali para renunciar ao seu Senhor. Então atearam fogo a palha e a lenha queimou mais aquela vítima da perseguição religiosa. Neste dia juntamente com Ana, foram queimadas vivas mais três pessoas.
Henrique VIII, separado de Roma, porque o papa não concordou com o seu divorcio, mesmo assim não poupou os “hereges”. Quando o rei morreu, subiu ao trono Eduardo VI, um menino com nove anos de idade, mas foi protetor dos protestantes e aspirava que a Inglaterra participasse dos efeitos da Reforma. Somerset, seu tio, foi feito regente, como era um homem de princípios protestantes, fez com que as perseguições parassem e se calassem os bispos perseguidores. Com o fim de reprimir os abusos, foram nomeadas algumas pessoas para visitar as dioceses, mas o rei Eduardo ficou doente, e Somerset foi levado ao cadafalso. Porém o novo regente era favorável também a Reforma.

MARIA “ A SANGUINÁRIA” - com a morte de Eduardo em 1553, subiu ao trono Maria, que foi chamada “a sanguinária”. Maria era católica fanática e inverteu-se a situação. Durante o reinado do jovem rei Eduardo, ela pedira autorização para ouvir missa na sua própria casa, o que lhe fora negado pelo rei. Mas no principio do reinado de Maria ela abriu um período de tolerância para com os protestantes. Todavia, um cardeal chamado Pole, conselheiro da rainha, influenciou-a, e as perseguições não tardaram.
Um padre chamado João Roger foi a primeira vítima. Ele foi preso juntamente com criminosos de toda a espécie. Depois de três interrogatórios, como suas respostas não agradassem foi levado para a fogueira em Smithfield. Outros seguiram o mesmo caminho. Sanders, Hooper, Taylor, Farrar, Guilherme Hunter, Hidley, Latimer: todos sofreram tortura, cada um por sua vez, juntamente com muitos outros cujos nomes não tinham projeção.

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO EM PORTUGAL

D
. João II, rei de Portugal, foi chamado “príncipe perfeito” e morreu com 40 anos de idade. Ele recebeu os judeus que foram expulsos da Espanha pelos reis católicos. Mas não lhes deu trégua.
Ficamos perplexos com a mentalidade dos reis desse período, a Idade Média para a Renascença, nos séculos XV e XVI, quando os soberanos obedeciam cegamente as ordens e orientação dos papas, transmitindo toda a sua ferocidade e espírito de malvadeza e perversidade, incessíveis que eram para cometer as maiores atrocidades contra as pessoas. E ainda recebiam epítetos pomposos, como “príncipe perfeito”, “o Venturoso”, “o magnânimo” e tantos outros.

JUDEUS : ALVO PRINCIPAL - se na Europa Central as grandes vítimas foram os evangélicos e os que se opunham as desastrosas pretensões dos papas e do clero de um modo em geral, na Península Ibérica, os judeus foram trucidados quase que com exclusividade.
D. João II sucedeu o pai, o ambicioso Afonso V, e recebeu os judeus que foram expulsos da Espanha. Seria uma atitude belíssima se além de recebe-los desse a eles condições razoáveis de vida. Mas a sua “benevolência” ao permitir o ingresso dos judeus em Portugal revela interesses escusos. Logo a seguir, cometeu as maiores barbaridades contra os filhos menores dos recém chegados.
Por maior que tenha sido para os judeus a catástrofe da expulsão da Espanha, não foram menores as vicissitudes que tiveram de enfrentar em Portugal. Os cronistas portugueses da época deixaram-nos um quadro nítido sobre as extorsões econômicas, a escravidão, a fome e a desumanidade com que foram tratados. O rei D. João II ordenou que fossem retirados dos pais judeus os filhos menores e enviados à ilha de São Tomé onde foram devorados pelas feras.

O INÍCIO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL – a inquisição começou suas atividades em Portugal em 1536, a pedido do católico “piedoso” João III, rei de Portugal. Era filho de D. Manoel com uma princesa espanhola, não a do primeiro casamento, que morrera ao dar à luz. Era portanto, neto dos reis católicos de Aragão e Castela. Todavia, muito antes desse tempo os efeitos da inquisição já se faziam sentir na terra lusitana. D. João III, um ano após sua coroação, pediu que o papa Adriano VI autorizasse a criação de um tribunal da inquisição em Portugal. Esse papa havia sido inquisidor geral na Espanha no seu tempo de cardeal. Sua morte atrasou a instalação do fatídico tribunal em 14 anos, enquanto o seu sucessor, Clemente VII, e depois Paulo III, parecendo simpatizar com a causa dos judeus, recebiam suborno de ambos os lados. Por fim Paulo III não resistindo as polpudas quantias oferecidas, decidiu-se pelos interesses de D. João III, e o tribunal foi instalado em 1536.
D. João III sempre fora inimigo dos judeus, mas só agora, como rei de Portugal, pode dar vazão ao ódio herdado com certeza de Isabel, sua avó, na tentativa de eliminar os judeus do seu reino. Antes da instalação do tribunal já aconteciam coisas absurdas, como vimos, no tempo de D. Manuel e anterior a ele. Eram as mesmas perseguições, as mesmas violências e as principais vítimas eram sempre os judeus.

OS TRIBUNAIS PORTUGUESES – O primeiro tribunal funcionou em Évora.
No dia 20 de setembro de 1540, desfilaram pelas ruas de Lisboa os primeiros condenados pela inquisição de Portugal.
Somente no dia 23 de outubro foram condenados à fogueira as primeiras vítimas, quatro homens e uma mulher. O tribunal de Lisboa realizou 248 autos, condenando 7.666 pessoas, e o maior auto desse tribunal foi realizado no dia 24 de março de 1631, quando condenou 180 pessoas de uma só vez. Esse tribunal funcionou até 7 de agosto de 1794.
Em Évora, o tribunal realizou 164 autos, com 9.973 condenações, tendo condenado 249 pessoas de uma só vez, no dia 30 de junho de 1630. funcionou de 22 de outubro de 1536 a 16 de setembro de 1731.
Em Goa, realizaram-se 71 autos, com 4.167 condenações, sendo o maior ato o dia 5 de setembro de 1734, com 136 pessoas condenadas. Funcionou de 1600 a 7 de fevereiro de 1773.
Finalmente, em Coimbra, foram realizados 277 autos de fé, com 9.543 condenações, sendo que só no primeiro dia de fevereiro de 1734, foram condenadas 273 pessoas nesse tribunal saiu penitenciado o grande padre Antonio Vieira, que se queixou ao papa Clemente X. e esse papa, em 18 de novembro de 1674, mandou fechar a inquisição em Portugal e perdoar todos os 142 sentenciados do auto desse dia. Infelizmente, ela foi reaberta pelo papa Inocêncio XI, em 21 de setembro de 1681, após 7 anos de descanso para a população sofrida, ocasião em que houve um grande repique de sinos e luminárias por 4 dias.

A REJEIÇÃO DO EVANGELHO – Portugal rejeitou o Evangelho que a reforma lhe proporcionou para ficar com o catolicismo e a inquisição, que puxaram para trás as nações. Hoje amarga um desenvolvimento ínfimo, beirando o Terceiro Mundo, como todas as nações que não conseguiram sacudir esse jogo maldito. Poderia ter-se alinhado com a Alemanha, a Inglaterra, a Suíça, a Suécia e os Estados Unidos. Mas alinhou-se com a Áustria, o México, o Brasil e a Espanha, que de todas as nações do mundo ocidental foi a mais pressionada e a mais infeliz. Foi considerada a nação mais atrasada da Europa no século passado.

AS CONTRADIÇÕES DE PORTUGAL – como todo país, Portugal teve seus bons e seus maus filhos. O seu inicio como nação teve a honra de criar uma língua das mais belas do mundo, “a ultima flor do Lácio”. País de conquistas , de vitórias. País de Camões, Gil Vicente e tantas culturas que orgulharam a nação. Portugal, que Afonso IV ajudou fundar. Portugal de Henrique de Borgonha e Teresa, espanhola que envergonhou seu filho Afonso Henriques, este primeiro grande herói português. Portugal de São Mamede, Ourique, dos Afonsos, dos Sanchos, de Diniz, de Pedro I o amante da célebre Inês de Castro “Dez anos iguais, nunca mais”. Portugal, que mata seus filhos para satisfazer a ambição de homens que se julgam deuses.
No período de 20 de setembro de 1540 a 7 de agosto de 1821, isto é, em 281 anos de inquisição foram apuradas nos arquivos 60.885 condenações, sendo 31.349 pessoas assassinadas pelo fogo.
Portugal, que cedeu as paixões humanas e permitiu que cometessem tantas injustiças, cometeu ele próprio uma grande injustiça com um dos seus filhos mais ilustres: JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA, que traduziu as Santas Escrituras; que lutou, foi pobre, foi perseguido e foi vencedor. Em Portugal ele não teve honra. No entanto, tem a gratidão eterna de todos os evangélicos de língua portuguesa. Por ele a Palavra de Deus tornou-se familiar, e podemos dizer como sabemos que ele diria e teria dito muitas vezes esperançoso:
Bem aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para a sua herança ( Sl. 33:12 )

FOCALIZANDO A “SANTA” INQUISIÇÃO NO BRASIL

O
santo oficio da Inquisição nunca estabeleceu um tribunal no Brasil, embora tenha sempre agido em terras brasileiras por intermédio das autoridades eclesiásticas locais e visitadores. Os bispos tinham poderes para efetuar prisões, confiscar bens de suspeitos e enviar prisioneiros ou seus processo para a Inquisição de Lisboa, que tratava dos casos relativos ao Brasil.
Na ultima década do século XVI, o arquiduque Alberto da Áustria, inquisidor mor de Portugal e colônias, mandou o visitador Heitor Furtado de Mendonça a São Tomé, Cabo Verde, Brasil e à administração de São Vicente ou Rio de Janeiro. A investigação abrangia culpas de sodomia, bruxaria e blasfêmias contra a igreja católica, e os elementos mais visados eram os cristãos-novos, acusados de praticarem secretamente rituais judaicos.
A primeira visitação do santo oficio ocorreu em 9 de julho de 1591, na Bahia e estendeu-se até 1593, quando seguiu para Pernambuco, onde permaneceu por dois anos. Após a partida do visitador, o bispo da Bahia ficou incumbido da fiscalização. Além de realizar visitações anuais, enviava os processos para Lisboa, prendia , punia e confiscava os bens dos condenados. Os jesuítas, assim como os vigários locais, ajudavam na busca dos culpados e suspeitos.
Em 1618 chegou a Bahia o segundo visitador oficial Marcos Teixeira, que organizou uma comissão inquisitorial ali permaneceu até 1619. a partir de 1623 os negócios da inquisição no Brasil ficaram entregues ao bispo Marcos Teixeira. De 1591 a 1624 foram processados 245 cristãos-novos, acusados de judaísmo.

A INVASÃO HOLANDESA – durante as invasões holandesas, a Inquisição recebia denuncias contra os cristãos-novos, mas estas eram mais dirigidas contra o inimigo político do que contra o herege. Em 1646 realizou-se no Colégio da Companhia de Jesus na Bahia uma grande inquirição. Foram ouvidas mais de 120 testemunhas e denunciados mais de cem pessoas entre cristãos-novos e hereges, blasfemos e feiticeiros.
Na primeira década do século XVIII, a Inquisição fez prisões em massa. No auto de fé de 1711 havia 52 brasileiros. As perseguições e os confiscos de propriedades nesses anos levaram a uma paralisação crescente na produção do açúcar, principal artigo de exportação do país e prejudicaram seriamente o comercio. De 1694 até 1748, 18 brasileiros foram condenados a morte pela Inquisição de Lisboa. O ultimo brasileiro condenado morreu no auto de fé de 20 de outubro de 1748 em Lisboa.

RESUMO CRÍTICO DA INQUISIÇÃO – a inquisição foi o maior pesadelo do cristianismo do qual, felizmente, já acordamos, e não sem tempo. Mas ela deixou marcas dolorosas, vitimando milhares de homens, mulheres e crianças, que morreram sem culpa em todos os países alcançados pela nefasta mão de Roma, pelos quais o papa agora pede perdão em favor do catolicismo. Mas isso não beneficia em nada as vítimas. A paga de tão insensatas ações o mundo está sabendo dar ao Romanismo. É o crescimento incontrolável dos que abandonam suas hostes e se bandeiam para os verdadeiros ensinos de Jesus, registrados na Bíblia, e isso está acontecendo no mundo inteiro, principalmente na Ásia e na América. Também entre os padres é grande a debandada e até alguns figurões, como o sobrinho do falecido papa Paulo VI, o ex-padre Juan Batista Tréccani, que atualmente é pastor evangélico de 5 igrejas pentecostais na Argentina.
Os tristes resultados dessa diabólica instituição se revelam também no grande numero de vítimas brasileiras. Ainda que grandes pesquisadores tenham se esforçado, não tem podido chegar a um numero exato, pois grande quantidade de processos, já estão parcialmente destruídos.
721 mulheres + 1098 homens = 1.819 vitimas
Muito bem se expressou o ex-padre e falecido pastor evangélico, Dr. Aníbal Pereira dos Reis, quando num dos seus livros diz:
ROMA sempre significou o contrário de AMOR

FOCALIZANDO OS INJUSTIÇADOS DA “SANTA” INQUISIÇÃO

V
itimas notórias da fogueira da Santa Inquisição deste período são a heroína francesa Joana D’arc, executada por declarar-se mensageira de Deus e por usar roupas masculinas, e o italiano Giordano Bruno, considerado o pai da Filosofia moderna, condenado por concepções intelectuais contrárias as aceitas pela igreja.
Processado pela inquisição o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei defere retratar publicamente sua Teoria do Heliocentrismo, na qual a Terra gira em torno do Sol, e trocar a pena de morte pela de prisão perpetua. Após uma nova investigação iniciada em 1979, o papa João Paulo II reconhece, em outubro de 1992, o erro da igreja no caso de Galileu Galilei.

Pr. e Historiador: Esdras Cabral de Melo

BIBLIOGRAFIA

Almanaque Abril ,1996 – Editora Abril

Alcides Conejeiro Peres, A Inquisição e os Instrumentos de Tortura da Idade Média – CPAD - 1998

NOVINSKY, Anita – A Inquisição – Brasiliense e Ibéria Judaica – Roteiros da memória.

Almanaque Abril – 96
Revista – História Viva Ed. Duetto Agosto de 2004


segunda-feira, 19 de maio de 2008

CATOLICISMO E MARIA

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" I Timóteo 2:5

O catolicismo Romano dá grande notoriedade a Maria, mãe do Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus apresenta Maria como uma mulher simples, humilde e religiosa e se refere a ela apenas cinco vezes. Essa "serva do Senhor", como ela se autodenomina, tem sido tomada pelo Catolicismo e recebido lugar de divindade. Alguns dos muitos títulos que Maria tem recebido do Catolicismo são: Santa Mãe de Deus, Mãe de Nosso Criador, A Virgem mais Prudente, Porta do Céu, Conforto dos Aflitos, Rainha dos Anjos, Rainha de Todos os Santos e Rainha do Rosário.

Os católicos possuem imagens de Maria, beijam-nas, queimam incenso perante elas e, descobrindo suas cabeças, repetem orações especiais diante delas, ainda que Êxodo 20:4-5 diga, "Não fará para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te curvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso...".

O Catolicismo tem cinco grandes doutrinas em relação a Maria: Maria é a mãe de Deus, Maria nasceu de uma imaculada conceição, Maria é uma virgem perpétua, a assunção corpórea de Maria e Maria é a Mediadora e co-redentora.
Essas doutrinas são todas afirmadas em seu Catecismo para Adultos. Referindo-se a Maria, o Catecismo diz, "Ela é chamada e é a verdadeira Mãe de Deus: conseqüentemente é nossa mãe espiritual; teve uma concepção imaculada – isenta do pecado original; foi virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo ... foi para o céu de corpo e alma; é a Mediadora universal e dispensária da graça". Nessa mensagem olharemos brevemente cada uma dessas cinco doutrinas católicas marianas e as compararemos com aquilo que a Palavra de Deus tem a dizer. Primeiro,

A CONCEPÇÃO IMACULADA DE MARIA

Quando o Catolicismo fala da Imaculada Conceição, quer dizer que Maria foi miraculosamente concebida por sua mãe e veio a esse mundo sem a mácula do pecado original e, como resultado dessa miraculosa conceição, nunca cometeu pecado durante sua vida terrena.
O Catecismo de Baltimore, Confraternity Edition, diz, na questão #62, "A Abençoada Virgem Maria foi preservada do pecado original pelo mérito do seu Filho Divino; e esse privilégio faz com que ela seja chamada de Imaculada Conceição ... Nossa Mãe Abençoada, em toda sua vida, foi livre de todo pecado...".
Essa doutrina não foi oficialmente aceita pela Igreja Católica até ser declarada ex cathedra pelo Papa Pio IX, em 1954. A Imaculada Conceição de Maria é pura invenção do Catolicismo. Nenhum versículo das Escrituras relata que Maria foi concebida sem pecado!
A Palavra de Deus afirma repetidamente que todos os homens são pecadores, incluindo Maria. Romanos 3:23 diz, "... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Não diz todos, menos Maria! Romanos 3:10: "não há nenhum justo, nem um sequer". Romanos 3:12, "Não há nenhum que faça o bem, não há nem um só". Eclesiastes 7:20, "...não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque". Em Lucas 1:47, a própria Maria fala de Cristo como "meu Salvador", e somente pecadores necessitam de um Salvador. Lucas 2:22-24 conta-nos que Maria e José deram no Templo a oferta segundo a lei pelos seus pecados depois dos dias de purificação. De acordo com a Palavra de Deus, Maria foi uma simples pecadora salva pela graça e, se foi pecadora que necessitou de um Salvador, nenhum cristão deveria orar para ela! A segunda doutrina católica mariana é que

MARIA É A MÃE DE DEUS

O Catolicismo, algumas vezes, refere-se a Maria como o "Sustentadora de Deus" e freqüentemente a chama de Mãe de Deus. O Catecismo para Adultos, de James Albimore, diz, "A Virgem Maria ... é reconhecida e honrada como sendo verdadeiramente a Mãe de Deus e Mãe dos Remidos".
No entanto, de acordo com a Palavra de Deus, Maria não é, de forma alguma, a Mãe de Deus! Como pode um Deus infinito e eterno, ter uma mãe? Maria foi uma criatura e não a mãe do Deus Todo Poderoso! Seria ilógico haver uma criatura que tivesse a habilidade de ser a Mãe de seu Criador! Quem surgiu primeiro? Deus ou Maria? Se Deus surgiu primeiro, então, como Maria pode ser sua Mãe? Deus não tem mãe! Ele é o Rei, eterno, imortal, invisível, como diz I Timóteo 1:17.
Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, humano e divino. Maria não foi mãe da divindade de cristo, mas de sua humanidade. Deus é o pai da divindade de Cristo. As Escrituras chamam Maria de "a mãe de Jesus", mas, nunca, "a Mãe de Deus". O fato é que "a mãe de Jesus" é o único título que a Palavra de Deus realmente atribui a Maria!
O Senhor Jesus nunca pregou que Maria era a Mãe de Deus ou que Sua mãe não fosse pecadora e nenhum escritor bíblico deixou alguma afirmação na Bíblia de que ela não tivesse pecado. Adicionalmente, é fato que, na Palavra de Deus, o Senhor Jesus nunca chamou Maria de "mãe". Ele a chamou de "mulher", mas não "mãe". É nada menos do que uma blasfêmia deificar Maria como a Mãe de Deus. A terceira doutrina católica mariana afirma que

MARIA É UMA VIRGEM PERPÉTUA

Eles ensinam que Maria permaneceu virgem por toda sua vida. O Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz, acerca da questão #510, "Maria permaneceu virgem concebendo seu Filho, dando-lhe a luz, carregando-o e nutrindo-o em seu peito, sempre uma virgem".
Essa doutrina é pura invenção do Catolicismo! Não há nenhum vestígio dela no Novo Testamento. Mas, ao contrário! A Palavra de Deus afirma claramente que Maria teve outros filhos além de Jesus Cristo, seu primogênito. Em Mateus 13:55-56, as Escrituras contam-nos que Maria teve outros quatro filhos homens e pelo menos duas filhas. "Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs?".
A quarta doutrina católica sobre Maria é


A ASSUNÇÃO DE MARIA

Essa doutrina reivindica que o corpo de Maria não entrou em corrupção no túmulo, mas foi ressurrecto, unindo-se a sua alma e indo diretamente ao céu três dias depois da sua morte. O Papa Pio XII declarou ex cathedra, em 1950, "Pronunciamos, declaramos e definimos ser um dogma revelado por Deus que a Imaculada Mãe de Deus, Maria, sempre virgem, no fim do seu percurso sobre a terra foi para o céu de corpo e alma". O Manual de Teologia Católica, volume 2, diz, "a assunção corporal de Maria no céu está tão perfeitamente implicada na noção da sua personalidade dada pela Bíblia e no dogma que a Igreja não precisa conferir com estrita evidência histórica do fato".
A Bíblia, no entanto, não diz a mínima coisa sobre a personalidade de Maria nem nada sobre sua morte, seu enterro ou sua ascensão! É incrível que milhões de pessoas digam acreditar na assunção de Maria sem que haja alguma evidência bíblica ou histórica disso!
Essa doutrina ainda inclui a reivindicação de que em sua assunção Deus lhe deu o título de Rainha de Todos as Coisas. O Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz, na questão #966, "Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de todo pecado e da mancha do pecado original, no encerramento do curso de sua vida terrena, teve corpo e alma arrebatados para a glória do céu e foi exaltada pelo Senhor como Rainha de todas as coisas". Porém, a Palavra de Deus nunca se refere a Maria como Rainha de nada! O céu não tem Rainha! É um Rei quem reina lá! Outra doutrina ensinada sobre Maria diz que

MARIA É A MEDIADORA E CO-REDENTORA

Mediadora é simplesmente o feminino de Mediador. O Catolicismo ensina que Maria, assim como o Senhor Jesus Cristo, é um Mediador entre Deus e o homem. O Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz, na questão #969 "... A Abençoada Virgem é invocada na Igreja como Advogada, Ajudadora, Benfeitora e Mediadora". O Catecismo para Adultos diz: "assim como temos um Mediador diante do Pai, que é Jesus Cristo, também temos uma Mediadora diante do Filho: A Santíssima Maria".
O Catolicismo acredita que toda a graça de Deus vem ao homem através de Maria. Mais uma vez, o Catecismo para Adulto diz: "A graça concedida ao homem compreende três passos sucessivos: Deus a comunica a Cristo, de Cristo ela passa à Virgem e, através da Virgem, chega a nós".
Uma oração Católica chamada "The Litany of Loretto", encontrada numa versão de bolso, publicada pelos Irmãos Benziger, inclui a seguinte referência sobre a suposta obra de Maria:
Santa Maria, orai por nós.
Santa Mãe de Deus, orai por nós.
Santa Virgem entre as virgens, orai por nós.
Mãe da divina graça, orai por nós.
Mãe imaculada, orai por nós.
Mãe de nosso Criador, orai por nós.
Virgem mais venerável, orai por nós.
Porta do céu, orai por nós.
Refúgio dos pecadores, orai por nós.
Conforto dos aflitos, orai por nós.
Rainha dos Anjos, orai por nós.
Rainha concebida sem pecado original, orai por nos.
Rainha do santíssimo rosário, orai por nós.

A oração mais famosa endereçada a Maria é a Ave Maria ou Salve Rainha! O Catolicismo ensina que é mais fácil vir a Maria do que ao próprio Cristo. O Cardeal Tiago Gibbons, em seu livro A Fé de Nossos Pais, disse, "... quão irresistível é a intercessão de Maria, que nunca ofendeu o Deus Todo Poderoso com pecado ...". Alphonsus Liguori, uma das maiores autoridades da lei canônica católica romana, diz, na página 248 das Glorias de Maria, que "freqüentemente obtemos mais prontamente o que pedimos rogando pelo nome de Maria do que invocando o nome de Jesus".
Entretanto, Maria não é a Mediadora ou Mediador de forma alguma! Não há nenhum versículo em toda a Palavra de Deus que nos informe que Maria intercede com Cristo em nosso favor! Ao contrário, a Palavra de Deus diz que Cristo é o único Mediador entre Deus e o homem. I Timóteo 2:5 diz, "há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem". I João 2:1 diz que Jesus Cristo, não Maria, é nosso Advogado para com o Pai. "Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo...". Hebreus 7:25 diz, sobre Jesus, "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles". Hebreus 9:15 diz, "E por isso [Cristo] é o Mediador de um novo testamento". Hebreus 9:24 diz, "Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus". Hebreus 4:15 diz que Cristo é nosso grande Mediador que foi tentado como nós e por isso nos compreende e nos sustenta em nossa fraqueza. "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas franquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado". Efésios 3:12 diz, "No qual [Cristo] temos acesso com ousadia e confiança, pela nossa fé nEle".

Nas Escrituras nem Cristo nem alguma outra pessoa nunca disse ao povo que orasse para Maria! Na Palavra de Deus, Maria nunca convida ninguém a orar para ela ou adorá-la. As Escrituras não nos ensinam a orar para Maria ou ao santos ou algum outro senão a Deus apenas! Em Mateus 6:9, o Senhor Jesus diz, "Portanto, vós orareis assim: "Pai nosso, que estás nos céus...". Romanos 10:13 diz, "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo".
Ao chamar Maria de co-redentora, o Catolicismo quer dizer que ela é um redentor feminino que está envolvido, juntamente com Jesus Cristo, na redenção dos pecadores. Este ensino quase estabelece Maria como uma verdadeira divindade. O Papa atual vem tentando declarar Maria oficialmente como Co-Redentora com Cristo.
A revista Newsweek, de 25 de agosto de 1997, cita esse Papa, dizendo, "Tendo criado o homem, macho e fêmea, o Senhor também quer colocar a nova Eva ao lado do novo Adão na Redenção ... Maria, a nova Eva, portanto torna-se um perfeito ícone da Igreja. Podemos conseqüentemente voltar-nos à Virgem Abençoada com confiança, implorando sua ajuda, cientes do papel singular que lhe foi confiado por Deus, o papel de co-operadora na Redenção...". Madre Teresa de Calcutá e o Cardeal John O’Conner, de Nova York, foram ambos artífices nesse percurso, para declarar Maria como sendo oficialmente Co-Redentora com Cristo. O autor do artigo acima mencionado da Newsweek disse perfeitamente que uma mudança desse tipo dar-nos-ia um Santíssimo Quarteto ao invés de uma Santíssima Trindade.
Mas a Igreja Católica já ensina que Maria participa na redenção alcançada pelo seu Filho. O Catolicismo para Adulto diz, "Maria foi ... cooperadora com Cristo na obra da redenção, portanto ela é nossa Co-Redentora...". O Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz na questão #1172, "Ela (Maria) está inseparavelmente ligada à obra da salvação de seu Filho". Na questão #968 esse mesmo Catecismo diz, "Sendo obediente, ela se (Maria) tornou a causa da salvação de si mesma e de toda a raça humana".
Uma declaração chamada Sobre a Igreja, publicada pelo 2º Conselho do Vaticano, diz, falando sobre Maria, "de maneira singular, ela cooperou pela sua obediência, fé, esperança e fervorosa caridade no trabalho do Salvador de restaurar a vida sobrenatural às almas". Em uma obra chamada Devoção à Mãe dos Aflitos, questionada pelo Convento Beneditino, em Clyde, Missouri, encontramos a seguinte citação, em relação a essa questão: "É por conta da excessiva tristeza e sofrimento que Maria suportou que ela merece nossa compaixão e grande estima ... Maria, de boa vontade, ofereceu seu Filho para nossa salvação: Sim, o sacrifício junto dEle foi tão grande que São Afonso diz, sobre isso, ‘os dois penduraram numa mesma cruz’".
Ligouri diz, nas Glórias de Maria, que "falha e se perde quem não se refugia em Maria", e, "Maria é chamada ... a porta do céu porque ninguém pode entrar naquele reino abençoado sem passar por ela". Aqui também são relevantes as palavras descritas pelos rituais Católicos para serem ditas na morte: "Maria, Mãe da graça, Mãe de misericórdia, protege-nos do inimigo, e me recebe na hora da morte".
A Palavra de Deus não diz absolutamente nada sobre Maria ter algum papel na salvação. De acordo com a Palavra de Deus, Maria não tem nada a fazer pela salvação da alma de ninguém. Há só um meio para ser salvo e é através do nosso Senhor Jesus Cristo! "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida", diz Jesus, em João 14:6. "Ninguém vem ao Pai, senão por mim". "E em nenhum outro há salvação", diz Pedro, em Atos 4:12, "porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á", diz o Senhor Jesus, em João 10:9.
CONCLUSÃO
Como foi visto, as cinco doutrinas Católicas sobre Maria são: Maria é a Mãe de Deus, Maria teve uma concepção imaculada, Maria é uma virgem perpétua, Maria foi assumida ou tomada corporalmente no céu pouco depois de sua morte e Maria é Mediadora e Co-Redentora. Nenhuma dessas doutrinas Católicas sobre Maria se encontra na Palavra de Deus. Nenhuma!
O Novo Dicionário Universitário Webster define Mariolatria como adoração da Virgem Maria. A Mariolatria Católica é absolutamente não-bíblica, ainda que ela seja a pessoa mais adorada na Religião Católica. O Catoliciamo rebaixa Cristo e exalta Maria por dá-lhe um lugar que só pertence a Jesus Cristo. Na verdade, o Catolicismo é muito mais a religião de Maria do que a religião de Jesus Cristo.
O Papa João Paulo II asseverou que Maria, na forma de nossa senhora de Fátima, salvou sua vida durante um atentado, em 1981. O lema do papa João Paulo faz referência a Maria. Totus tuus ou literalmente totalmente vossa. Não totalmente de Cristo, mas totalmente de Maria!
Certa ocasião o Senhor Jesus Cristo corrigiu uma mulher que tentou exaltar a sua mãe. Lucas 11:27-28 diz, "E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. Mas ele disse: Antes (em vez disso) bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam".
A mensagem do evangelho não é: Adore Maria, mas é: Adore Cristo! Mateus 4:10 diz, "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás". Deus é zeloso e não aceita a adoração de outra criatura, ainda que seja a mãe de Jesus Cristo.
Na Palavra de Deus, nunca alguém adorou Maria. Orar ou adorar Maria é fazer o que Romanos 1:12 condena como uma evidência da depravação do homem: adorando e servindo a criatura mais do que o Criador. Em Filipenses 2:9-10 a Palavra de Deus nos diz quem se deve adorar quando, falando de Cristo, "Por isso, também Deus O exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra". A mensagem do evangelho não é: Vem a Maria, mas: Vem a Cristo!
O Catecismo para Adultos, do Catolicismo, diz: "No perigo, nos problemas, na dúvida, pense em Maria, chame por ela. Não a deixe afastar-se do seu coração ... seguindo-a você não vai desviar-se do caminho; orando para ela, você não perde as esperanças; pensando nela, você não se engana. Se ela te sustenta, você não cai; se ela te protege, você não tem do que temer ... se ela é benigna para com você, você alcançará seus objetivos...".
Porém, o que diz o Senhor Jesus? "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei". Veja-se Mateus 11:28. Permitem nossos amigos Católicos lerem a Palavra de Deus. Nela, encontrarão vida, compaixão, redenção, a salvação de Cristo, mas muito pouco sobre Maria. Amigo pecador, o Catolicismo te desviará dAquele que está pronto para te salvar e suprir cada uma das suas necessidades. Desvie-se do Catolicismo e venha a Cristo hoje!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A FÉ

SÃO JOÃO 4:47 a 54

Segundo o autor do Livro de Hebreus, a Fé é a certeza de que vamos receber o que esperamos e a prova de que existem coisas que não vemos. Hebreus 11:1, e foi pela fé que os grandes homens do passado tal como Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué, Elias, Davi, Paulo, Pedro, entre outros conseguiram a aprovação de Deus, e com isto além de uma benção terrena, tiveram seu lugar no céu garantido.
A fé se compara aos ramos de uma arvore que não são visíveis aos nossos olhos, mas certamente seguram a vida de uma imensa arvore e seus frutos, não se pode ver a fé, você só saberá que a possui quando sentir sua vida abalada, um vento forte soprar em sua direção, sua fé invisível irar segura-lo como se estivesse preso a Cristo, assim a arvore não cai ou morre, as raízes a seguram fortemente ao chão, e uma curiosidade é que as raízes crescem sempre para baixo, quanto mais profundo for ao chão maior será a arvore, assim é a nossa fé, quanto maior for a nossa fé, mais firme seremos.

a) 1º FASE DA FÉ 4:47

Neste texto Bíblico vemos o centurião que ouviu falar de Cristo e o procurou, este homem tinha um filho com uma grave doença, possivelmente estava abalado emocionalmente, quando isto acontece as pessoas mal conseguem pensar, perdem o sono, trabalham mal, erram com muita freqüência, procuram a todo custo a solução para os seus problemas o mais rápido possível, e tendo alguém como um filho doente em casa, isto é ainda pior, o medo de perder a pessoa amada nos rouba a tranqüilidade, possivelmente aquele oficial teria procurado soluções em tudo o que pensou, a todo o custo procurou salvar a vida de seu filho, é exatamente nestas ocasiões que precisamos ter fé, em Hebreus 11:1, a Fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova daquilo que não se pode ver, aquele oficial necessitava ter fé, ainda que pequena, mas precisava ter, com isto poderia crer que seu filho seria enfim curado, livre da doença e da morte, a fé lhe daria o descanso que a ansiedade dos últimos dias e horas haviam lhe tirado, somente a fé pode trazer o descanso da mente e do coração, mas como ter fé, como obtê-la em nossa vida. O centurião ouviu falar que Jesus tinha chegado a cidade, com certeza também ouviu falar dos feitos de Jesus, os milagres que realizará até então, e com isto aquele homem creu que o mesmo Jesus poderia enfim curar seu filho, a fé nasceu em seu coração quando ele ouviu falar de Jesus, a fé é uma pequena semente que é lançada em nossas vidas através de nossos ouvidos, uma palavra entra em nossa mente, e uma esperança nasce em nosso coração, como vemos, o ouvido é a parte do corpo por onde nasce a fé em nossas vidas, pois a fé vem pelo ouvir, e ouvir a palavra de Deus Romanos 10:17, quando prestamos atenção, e ouvimos atentamente a palavra de Deus, neste momento a fé é plantada em nosso coração, e assim aconteceu com aquele homem, ele primeiro ouviu falar de Jesus, e imediatamente creu, isto porque a semente da fé já estava brotando.

b) 2ª FASE DA FÉ 4:50

O homem rogou a Jesus que curasse seu filho, e como o mestre se demorou um pouco a lhe dar a resposta, o homem insistiu com Jesus para que fosse a sua casa o mais depressa possível, pois a doença de seu filho era grave, como vemos o homem se rendeu a Jesus, acreditou fielmente que ele poderia curar seu filho, foi quando o Senhor lhe disse " Vai o teu filho vive " , o Senhor não colocou a mão em sua cabeça para o abençoar, e tão pouco orou numa peça de roupa de seu filho, apenas mandou que fosse embora, pois o menino já estava curado, a fé daquele homem ainda era pequena, e mesmo assim o oficial creu na palavra de Cristo, depositou confiança na palavra de Jesus, não discutiu, não pediu segunda vez, creu, isto foi o bastante, o homem foi embora para sua casa , andou por muito tempo, talvez umas vinte horas de viagem, durante todo este tempo não duvidou da cura de seu filho, seu coração descansou, se livrou da ansiedade demonstrando assim ter fé, esta fé era momentânea não era algo permanente, a semente da fé em seu coração ainda era pequena, quando se crê em Cristo significa entrega de nossas vidas e problemas, devemos descansar no Senhor, assim como aquele homem o fez, a perda de sono é sinal de incredulidade. Salmo 127, a fé daquele homem ainda não era grande o bastante para se viver uma vida Crista e seu dia a dia, é bom porque é mais fácil ir a igreja as primeiras vezes, do que viver um dia a dia de batalhas com satanás era forte apenas para a cura de seu filho, e nada mais.
Assim como uma semente a fé precisa ser regada dia após dia, quando se planta uma semente de qualquer planta, o bom agricultor passa a regar diariamente, um pouco de água será o bastante para manter a semente viva fazendo a crescer pouco a pouco, água demais e terra de menos a mesma poderá morrer, assim a fé não nasce e cresce num só dia, é preciso molhar a fé com a água da vida, a palavra de Deus, é necessário continuar a ouvir a palavra santa que assim trará crescimento aquela pequena semente de fé, quando alguém abandona a igreja e deixa de ouvir as mensagens de Deus, a mesma perde a pequena fé que possui, o crescimento natural da fé é interrompido e a mesma morre.

C) 3ª FASE DA FÉ 4:52

O homem já sabia da cura de seu filho, chegou em sua casa, ouviu as noticias de alegrias da vida de seu filho, certamente o abraçou, o beijou, uma grande reunião familiar deve ter acontecido naquela casa, um grande banquete talvez tenha acontecido para celebrar a chegada do homem a sua casa após tão grande viagem, e a cura do menino, mas algo não saiu do coração daquele pai, o mesmo procurou saber mais de Cristo, estava a procura de detalhes, algo que fortalecesse sua fé, procurou saber a que horas exatamente o menino foi curado, isto é fé em crescimento, qualquer um no lugar dele teria se esquecido deste detalhe em meio a tanta alegria, o homem acreditou que Cristo não dava somente a cura a seu filho, seu coração estava cheio da presença de Deus, ele não se esqueceu de uma só palavra de Jesus, e o resultado foi a salvação de toda a família Atos 16:31. A fé deste homem começa a ter um crescimento bastante sadio, ele chegou a um estagio que lhe e possível obter a salvação, tanto a dele como de toda a sua família, mas ainda terá de crescer, pois esta fase ainda não lhe da forças para a batalha espiritual.
Quantas pessoas não conseguem passar desta fase, vão a igreja, recebem uma graça de Deus, se vêm em situação melhor, e se esquecem de Deus, dão as costas para a igreja, abandonam tudo que aprenderam até então, para se ocupar com suas alegrias e conquistas, os afazeres do dia a dia matam sua fé, que até esta fase estava crescendo rapidamente, na verdade são poucos os que passam desta fase e chegam a possuir uma fé mais sadia e forte, são poucos os que buscam a Deus mesmo estando tudo bem em casa, não esperando alguém ficar doente em casa para voltar a igreja, assim também aconteceu quando Jesus curou dez leprosos, São Lucas 17:12 a 19, quando estavam doentes, todos vieram pedir a misericórdia de Jesus, enquanto estavam leprosos, todos, os dez vieram até Jesus, eles também ouviram falar de Jesus assim como aquele centurião, eles também creram de imediato quando Jesus os mandou ir se apresentar ao sacerdote comprovando assim a cura da lepra, porém quando perceberam que já estavam limpos do doença, ficaram tão felizes que imediatamente foram comemorar a cura, procuraram seus parentes a fim de festejar a graça recebida, mas só um, um único homem voltou para agradecer a Jesus pelo milagre recebido, o que trouxe grande espante no Senhor Jesus em ver que de dez, somente um, e exatamente um samaritano, um estrangeiro, voltou para dar glória a Deus, e esta permanência na fé lhe trouxe salvação.
Como vemos a grande maioria das pessoas não saber permanecer na fé, não sabem buscar a Deus quando tudo vai bem, não sabem dar glória a Deus por uma graça recebida, são poucos os que passam da terceira para a quarta fase da fé.

D) 4ª FASE DA FÉ II Timóteo 1:12

Ao vivermos o dia a dia com Cristo passamos por situações das mais variáveis possíveis, a dificuldade parece que aumenta a cada dia, a cada tempo experimentamos lutas e provações da qual não conhecíamos, sempre aprendemos, uma novidade, nunca estamos isentos de problemas e lutas que as vezes pensamos que a derrota desta vez ira nos atingir, mas como sempre, passamos de uma fase para outra com um testemunho de vitória. É preciso saber confiar em Cristo, saber que Deus tem cuidado de nós, Quando Paulo disse " Eu sei em quem tenho crido " , ele passava por grandes problemas, as coisas não andavam bem para ele, na verdade Paulo quando escreveu esta que foi sua última carta, estava preso em Roma, e prestes a morrer decapitado, mas mesmo assim confessou sua fé, as tribulações não puderam separa-lo de seu Deus, sua fé em Cristo permanecia intacta , pelo contrario, sua fé crescia a cada dia. Existe uma outra confissão de São Paulo que muitos entendem errado, ele diz: " Posso todas as coisas naquele que me fortalece ", as pessoas entendem que Paulo estava poderoso, forte, sadio, bem sucedido financeiramente, mas é exatamente o contrario, dois versos atrás ele mesmo diz: " Sei estar abatido, estou instruído tanto a ter fartura como a padecer necessidade " isto mostra que o apostolo dos gentios possuía suas necessidades financeiras e materiais, no seu dia a dia viu por diversas vezes faltar o alimento, teve discussões que lhe causaram grandes problemas e tristezas um exemplo foi seu atrito com Barnabé e Pedro, mas foi através desses atritos e problemas que Paulo chegou ao final de sua vida com uma confissão de vitória, " Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé ", ele não fugiu das batalhas, pelo contrario ele as encarou de frente, sempre de maneira honrosa, dando um bom testemunho do amor de Cristo, ele não causou escândalos, seu comportamento não era imoral, e também não devia nada a ninguém, foi fortemente atacado em todos os lugares que andou, um dia tinha o alimento, e outro passava necessidades, mas em meio a tudo isso sempre esteve com Cristo, a Fé sempre esteve com ele, invisível, mas forte.

IMPEDIMENTOS PARA A FÉ

·A tristeza São Lucas 24:25
A pessoa que anda de cabeça baixa, triste, solitário, com semblante de derrota, demonstra a si mesmo não Ter fé, ou se a tem sua fé é tão minúscula que acaba perdendo para a tristeza, o dia em que você sentir que esta sendo atacado por todos os lados e mesmo assim continua confiante, isto será um sinal que possui grande fé.

·A ansiedade São Mateus 6:25-34
Andar ansioso para receber ou conquistar algo, reclamando, perdendo o sono por causa dos problemas e dificuldades, isto pode ser um mal tão grande que impede o crescimento da fé. Quem possui fé suficiente para vencer problemas tem a plena convicção de que as vencerá , e que os problemas do presente serão apenas um grande testemunho do passado. É preciso entender que o momento mais oportuno para a fé crescer são os momentos ruins para a nossa vida material, quando muitas coisas vão mal, quando há problemas financeiros, este é o momento exato para depositar-mos confiança no Deus altíssimo, e por isso não reclame, não perca o sono "Salmos 127:2 Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono. Antes da perda do sono, entregue a Deus toda a sua ansiedade, e acredite, ele cuidará de sua vida. 1 Pedro 5:7 lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Se você fizer desta forma o seu sono será tranqüilo
Provérbios 3:24 Quando te deitares, não temerás; sim, tu te deitarás, e o teu sono será suave

·A busca de provas ( sinais ) São João 20:24-29
A busca de provas é um sinal muito grande de desespero, incredulidade, pequena fé, ninguém que acredita procura provas, você já se colocou no lugar de Tomé ao falar que não acreditava na ressurreição de Cristo, e que queria ver os sinais em suas mãos, será que não é a mesma coisa que muitos fazem em nossos dias, pessoas vivem tentando a Deus, querem uma vida prospera materialmente, mas não se rendem espiritualmente, querem ser bem sucedidos financeiramente, mas não seguem os ensinamentos de Jesus Cristo, e quando lêem na Bíblia, ou ouvem uma mensagem em que Deus faz promessas abundantes, provocam a ira de Deus o encostando na parede, dizendo que querem provas físicas da provisão divina, não faça como Tomé, procure ouvir a voz de Cristo soar em seu coração,
Marcos 5:36
E Jesus, tendo ouvido essas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente.
Lucas 8:50
Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê somente, e será salva.

O medo São Lucas 24:36-39 não temas crê somente. Quando existe temor não ha fé.
O medo é o um grande adversário da Fé , quando existe Fé não há medo ou vice e versa. A existência do medo, é um forte sinal de inexistência da Fé, ou simplesmente falta de fé, as palavras do Rei Davi no Salmo 23 expressam uma firme saudável e forte, ele diz " Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, eu não temerei mal algum " isto mostra segurança, uma vida entregue a Deus, o chamado vale da sombra e da morte a que Davi se referia, era de causar medo a ponto de mudar a direção, naquele lugar ladrões esperavam por toda a noite para roubar os viajantes e até matá-los, não era uma estrada iluminada, com guardas rodoviários, e telefones a cada um quilometro, o medo era constante, a viagem assustadora, porém o Salmista declara a sua confiança, a sua fé segura no poderoso Deus altíssimo, e afirma para todos os medrosos e de pequena fé, que não tem medo de passar por este vale.
Amigo leitor o vale da sombra e da morte pode ser comparado aos grandes momentos ruins, e de muita dificuldade financeira, familiar, profissional ou mesmo no ministério, confie em Deus, creia que ele o guardará do dia mal, e que jamais permitirá que passe por uma tribulação de que não possa suportar, pelo contrario, ele encontrará uma forma para que saia vitorioso do vale da sombra e da morte.
1 Coríntios 10:13
Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.
Filipenses 4:7
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.
2 Tessalonicenses 3:3
Mas fiel é o Senhor, que vos confortará e guardará do maligno.

·O desejo de partir. São Lucas 24:25
Os dois discípulos saíram de Jerusalém onde estavam todas as provas da ressurreição de Cristo, o véu partido, o testemunho de Maria, a sepultura vazia, a grande pedra removida do sepulcro, e caminharam em direção oposta ). A fuga é sinal de medo, e a incredulidade e o temor andam juntos.

O NASCIMENTO DA FÉ

A fé vem pelo ouvir. Romanos 10:17
O apostolo faz uma afirmação que todos que ouvirem a palavra serão salvos, ele a faz porque sempre existiram surdos, pessoas que não carecem da audição, mas só ouvem o que querem, não dão ouvidos a Cristo, existem hoje até mesmo pessoas que se dizem crentes, religiosos, que em determinados assuntos fecham os ouvidos, no momento da pregação, escrevem, lêem outro texto da Bíblia, vão ao escritório, ao WC, conversam, saem fora da igreja, isto porque se fazem de surdos, não querem ouvir, e por esta causa vivem sofrendo, pois não têm fé, pois a fé vem pelo ouvir, e isto não querem fazer.
Ouvir a palavra de Deus. Romanos 10:17
Sempre que ouvimos com atenção a palavra de Deus, fazemos cair o nosso ego, nossa vontade própria, a palavra de Deus nos ensina a amar aos nossos irmãos por mais pecadores e ignorantes que sejam, foi assim que Cristo amou a igreja, e assim a Bíblia nos exorta a abandonar o velho homem, quando estamos atentos a palavra de Deus e não a nossa, a fé entra em nossos corações , em nosso lar, casamento, filhos, vida profissional e financeira, a palavra de Deus faz com que nossa vida seja transformada de acordo com o ideal de Deus para nós e não de acordo com o nosso próprio gosto.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

GRAÇA MANIFESTADA PARA A NOSSA SALVAÇÃO

"Porquanto a graça de Deus se manifestousalvadora a todos os homens" (Tt 2.11).

A graça – De onde ela vem? O que ela produz? O que ela transforma em minha vida?
De onde vem a graça?
Ela brota do insondável amor de Deus para conosco, e é personificada em Jesus Cristo, que nasceu em Belém. "Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo 1.17). Ela encontra seu ponto culminante na morte sacrifical de Jesus no Calvário e é válida como dádiva de misericórdia a todos os homens que já viveram, vivem e ainda viverão. Todo o Antigo Testamento, a Torá, os Salmos e os Profetas, apontam para Aquele que traz a graça, que sacrificou Sua vida para expiar os nossos pecados. Não é possível separar a graça da cruz. Cruz e graça formam uma unidade inseparável. Um Evangelho sem cruz não é Evangelho, pois o preço do nosso perdão, que Jesus pagou no Calvário com o Seu sangue, é alto demais. Mas não existe uma anistia geral. A sedutora doutrina da salvação final de todos, que vem muito ao encontro do pensamento humanista, contradiz o testemunho global da Sagrada Escritura, e por isso é uma mentira de Satanás. Não é possível separar a graça da justiça e da santidade de Deus.


O que a graça produz?

Ela traz a salvação, como diz o nosso texto bíblico. Todas as pessoas desejam um mundo saudável, intato. Quando ele existirá? No Milênio. Pelo pecado, toda a criação foi arrastada para o turbilhão da ruína e da morte. Jesus Cristo, que esteve presente na criação, arrebatará definitivamente o domínio de Satanás e restabelecerá uma situação paradisíaca. Esse plano de salvação divino é irrevogável. Ele já pode ser experimentado hoje por aqueles que confessam Jesus Cristo como seu Senhor. Você já está integrado nele? Feliz de você, se for assim! Se você não tem certeza da salvação, arrependa-se e venha ao trono da graça! Confesse os seus pecados em arrependimento sincero, e você achará misericórdia, você encontrará a graça! Jesus diz: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á" (Mt 7.7).
A graça se manifestou através de Jesus Cristo. Sua manifestação é chamada de Epifania no calendário litúrgico. Aparições celestiais, relatadas freqüentemente nas Escrituras, manifestações de anjos ou do próprio Senhor, tiveram efeitos assustadores, impressionantes e edificantes sobre as pessoas. Pois não era algo banal que mensagens fossem dirigidas diretamente do mundo celestial a pessoas comuns. Quantas vezes lemos: "Eis que lhe apareceu um anjo do Senhor..." Antes da queda em pecado, o primeiro casal humano no Paraíso tinha um relacionamento íntimo com o próprio Deus. Lemos que Deus andava com os homens no jardim do Éden. Isso deve ter sido indescritivelmente glorioso e agradável – cada encontro com Deus era uma festa! Mas então o pecado criou um abismo intransponível, pois a santidade de Deus e a nossa pecaminosidade se excluem mutuamente. Deus não olha para onde existe pecado, mas Ele ama o pecador, porque é criatura Sua. Por isso o Seu amor insondável, apesar de ser sublime e santo, sempre encontrou o caminho até os pecadores. Que possamos reconhecer ainda muito mais a nossa indignidade e a santidade de Deus! Em Jesus Cristo encontramos graça restauradora e salvadora!
Antes que nosso Salvador aparecesse em forma humana sobre a terra, o próprio Deus revelou-se em epifanias. Como Abraão, também nós deveríamos ser tomados de profunda reverência pela visita dos três homens nos carvalhais de Manre. "Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava sentado à entrada da tenda, no maior calor do dia. Levantou ele os olhos, olhou, e eis três homens de pé em frente dele, Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, prostrou-se em terra e disse: Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo" (Gn 18.1-3)..
O que esse encontro trouxe de graça salvadora? Vejamos três aspectos:
Em primeiro lugar, a visita do Altíssimo com Seus dois acompanhantes foi por si só um acontecimento altamente honroso e prazeroso para Abraão. Por isso ele os saudou respeitosamente: "Levantou ele os olhos, olhou, e eis três homens de pé em frente dele. Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, prostrou-se em terra e disse: Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo," e depois atendeu seus nobres visitantes como príncipes. A seguir, ele recebeu a promessa de que no ano seguinte Sara teria um filho. Por fim, desse encontro e da intercessão de Abraão resultou a salvação de seu sobrinho Ló do terrível lamaçal de pecado de Sodoma. Portanto, ocorreu uma bênção múltipla de graça salvadora!
E assim lemos por toda a Bíblia sobre outros encontros singulares e salvadores de Deus com Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão e muitos outros. Escolhamos mais um encontro especial com Deus relatado no Antigo Testamento. O pastor de ovelhas Moisés viu uma sarça ardente no Monte Horebe, onde reconheceu o anjo do Senhor e ouviu a voz de Deus: "Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu Pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus" (Êx 3.5-6). A seguir Deus se revelou a Moisés pelo Seu nome: "Eu sou o que sou" (Êx 3.14). Esse nome tem o maior significado! Aquele que é eternamente e que sempre permanece igual revela-se ao homem, do qual jamais pode ser dito algo igualmente positivo. O homem é capaz de se transmudar, enganar e decepcionar, sendo até como um ator em dissimulação. É Satanás que nos ensina a sermos falsos, a usarmos máscaras, pois ele também pode transformar-se em anjo de luz ou aparecer como lobo em pele de cordeiro para seduzir as pessoas. Como é bom saber e firmar-se pela fé no fato de que Deus é imutável! É o que igualmente está escrito acerca de Seu Filho: "Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre" (Hb 13.8). Ele, que está assentado à destra do trono de Deus, é e continua sendo o nosso intercessor.
Mas que salvação trouxe essa aparição de Deus no Monte Horebe? Mais uma vez algo múltiplo:
1. Como Moisés, devemos reconhecer a santidade de Deus e prostrar-nos diante dEle em adoração e santa reverência! Na nossa sociedade multicultural muitas coisas são niveladas e profanadas. O respeito a Deus e à autoridade desaparece. Reverência santa tornou-se uma idéia ultrapassada. Mas Moisés foi tomado de santo temor quando viu e sentiu a presença divina.
2. Quando Deus dá uma tarefa difícil aos homens, Ele também dá as forças necessárias para executar essa tarefa. Com a revelação de Deus a Moisés este tornou-se capaz de liderar o povo, de ser um guia até a Terra Prometida.
3. Aqui foi dado início à salvação do povo judeu, que era escravo no Egito. Deus manifestou-se para anunciar a libertação do Seu povo. Portanto, mais um bênção múltipla resultante dessa aparição santa e salvadora!
Uma pergunta, entre parênteses: É necessário sempre recorrer a exemplos do Antigo Testamento? Pensamos que sim. Por um lado, reconhecemos no Antigo Testamento o sábio trabalho de educação que Deus realizou com Seu povo. Também nós deveríamos aprender dessas experiências do passado. Por meio delas é colocado um espelho diante de nós. Se considerarmos isso moralista, revelamos presunção reprovável. Por outro lado, precisamos saber: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça" (2 Tm 3.16). Além disso, não devemos depreciar o Antigo Testamento como algo ultrapassado, pois declarações que têm valor e significado para a salvação são sempre atuais. Mas quem ainda as leva a sério hoje em dia? O Antigo e o Novo Testamento não podem ser separados, pois formam uma unidade orgânica. O Plano de Salvação começou com o primeiro homem e se desenvolve constantemente até seu final no reino celestial. Você terá experiências felizes e abençoadas ao ler toda a Bíblia em oração!
Mas a história secular e o plano de Deus para com os homens seguem em direção ao ponto culminante da graça salvadora. Pois estamos a caminho do estabelecimento e da plenitude do reino de Jesus Cristo: "Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei" (Gl 4.4). No Natal cantamos com alegria: "...então do Seu trono Deus enviou a salvação do mundo, Ele enviou a Ti, Seu Filho".
O que a graça manifestada produz? Uma transformação revolucionária do mundo, quando pessoas se deixam mudar por Jesus. Isso significa uma poderosa penetração do mundo celestial em nosso tempo: Cristo veio para realizar a expiação por nós, e isso levou à Sua morte sacrifical no Calvário. A vinda do Salvador a esta terra traz graça salvadora aos corações abatidos e enfermos pelo pecado. Ninguém precisa se desesperar, a salvação veio para todos. Aquele que experimentou essa graça salvadora não pode e não deve guardá-la só para si: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19), foi a tarefa deixada por Jesus a Seus discípulos. E esse pequeno grupo, que aceitou o chamado de Jesus e foi equipado pelo Espírito Santo, passou a trabalhar no lugar que Jesus designara para cada um deles. Assim também ainda hoje, especialmente os jovens deveriam se deixar recrutar para o Seu serviço! Como é grande a diferença entre o sistema que Deus usa para escolher Seus cooperadores e a maneira usada pelos detentores do poder terreno: "Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1 Co 1.26-27). Sempre houve pessoas que obedeceram a esse chamado e se deixaram preparar para o trabalho de testemunhar, seja em lugares longínquos ou no seu local de trabalho. A mensagem da cruz e da graça salvadora ainda precisa ser propagada hoje, acompanhada de um apelo à decisão, mesmo que nem sempre seja bem aceita. Quem quer ser um soldado de Cristo e não um anticristo?
O versículo citado no início nos diz que a graça se manifestou salvadora. Quando hoje pessoas nos falam de visões transcendentais ou aparições de luz, alertamos sobre essas manifestações. Nos princípios do Plano de Salvação, Deus considerou-as necessárias para as pessoas daquela época. Hoje não precisamos mais desses fenômenos, pois na Bíblia temos toda a Palavra de Deus, que é suficiente e pela qual Deus pretende nos falar a qualquer momento. Se isso não basta para nós, não temos solução. Deus falou por meio de Seu Filho e depois através dos apóstolos (Hb 1.1). O reformador Zwinglio tinha plena razão com seu apelo: "À Escritura, à Escritura!"

O que a graça revelada transforma em minha vida?

A nossa natureza pecaminosa e corrompida não pode ser melhorada. Nem a psicologia pode ajudar. A única coisa que resolve realmente é entregar totalmente à morte o tão querido "eu" e mergulhar na graça salvadora que Jesus nos oferece. Então experimentamos o poder transformador do Espírito Santo, que renova desde a base: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Co 5.17). Você realmente deseja isso? Na verdade esse é um processo doloroso, mas muito salutar. Infelizmente muitas pessoas recuam quando se trata de dar esse passo concreto no discipulado de Jesus. Em primeiro lugar a graça salvadora pretende produzir a cura do nosso eu corrompido e pecaminoso. Nós mesmos não somos capazes de realizar isso. A cura bíblica acontece quando concordamos em nos identificar com a morte de Jesus (Rm 6.1-14). O inimigo tenta barrar-nos, pois teme a cruz, porque ali ele foi julgado. O caminho que eu e você devemos seguir é indicado nos versículos que seguem as nossas palavras de introdução: "...educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda a iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2.12-14). Nosso ministério e nosso trabalho só serão frutíferos e esses frutos só permanecerão se produzidos por uma vida em constante comunhão com Jesus. Isto é santificação, pois a Escritura diz: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).
Examine-se: o que o impede de seguir a Jesus de maneira decidida? O tempo passa, e sem demora Jesus virá, seja para o Arrebatamento ou para tomá-lo para Si, e aí você estará inesperadamente diante dEle. Não perca de vista o glorioso alvo, pois aí valerá também para você: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda" (2 Tm 4.8). (Burkhard Vetsch)


quinta-feira, 20 de março de 2008

O NAMORO

a) A Bíblia

Podemos quase dizer que o namoro não é bíblico, pois não encontramos onde este tipo de amizade chama-se namoro. Geralmente os pais escolhiam os companheiros para seus filhos e quando um jovem demonstrava interesse em uma moça, era já pensando em casamento.

A Bíblia fala em noivado, que é o período antes do casamento. Este período é tão importante, que é feito uma comparação entre Cristo e a Igreja. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão e outros, provavelmente tenham namorado as suas esposas, porém nós pouco sabemos, sobre este período de relacionamento. Isaque e Rebeca (Gênesis. 24.63, 67); Jacó e Raquel (Gênesis. 29.9, 20); Sansão (Juizes. 14 - casamento misto); Boaz e Rute (Rute. 2.5); Davi e Mical (I Samuel. 19.12 e 25.44); José e Maria (Mateus. 1.18); Salomão e Sulamita (Cantares. 1).

b) Principio da Amizade

"Há amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios. 18.24).

Já que não temos um ensinamento claro na Bíblia sobre namoro, devemos dar uma orientação cristã no assunto. O primeiro relacionamento entre dois jovens deveria ser uma amizade e não um namoro. Tanto a moça como o rapaz deve ter e fazer muitas amizades e dentre essas amizades escolher quem quer namorar.

c) O Pré-namoro ou Flerte

Dentre as várias amizades, um vai se destacar... Naturalmente, você vai preferir estar junto daquela pessoa mais que com as outras (por mais tempo) e daí começa o namoro.
Desta maneira dificilmente você erra na escolha, pois você conhece a pessoa antes do namoro.
O caso de começar o namoro sem antes ter amizade com a pessoa, corre o risco da decepção e quase sempre não dá certo.
Jovens volúveis e sem conteúdo ficam dando em cima de garotas estranhas, pois as conhecidas não se deixam enganar.
"Amor a primeira vista" é muito perigoso, pois difícil não é começar um namoro ou casamento, difícil é continuar namorando ou permanecer casado! O Flerte é brincar com os sentimentos alheios.
Você não quer nada sério e fica dando esperança ao outro. Isto é errado e a Bíblia condena.

d) Namoro - Definição

O que é namoro? Para que se namorar? Já paramos para pensar sobre isto?
Porque, para que e como você namora?

Dicionário:

Namorar: cortejar, inspirar amor a, apaixonar, cativar, desejar, ardentemente, empregar todos os esforços para obter, ficar encantado, etc.
Namoricar: namoro por pouco tempo, amizade leviana, distrair-se com sentimentos de outrem, etc.

Naturalmente cada um tem sua definição. O namoro para nós deveria ser uma amizade bem especial por alguém que a gente começa a amar e ser amado por ela. O tempo de namoro é uma confirmação de que aquela pessoa é a escolhida por Deus e por nós, para ser nossa (o) companheira (o). Deve ser levado a sério sem exagero a ponto de pensar que o namoro não pode terminar.

e) Motivação Correta

É à vontade de Deus: "Não é bom que o homem esteja só".
É encontrar a pessoa que será minha (meu) companheira (o).
É verificar e confirmar se é aquela pessoa.

f) Motivação errada.

Namorar por namorar.
Namorar para passar tempo.
Namorar para mostrar que é atraente.
Namorar para não ficar "pra trás".
Namorar porque é um bom partido.
Namorar para contrariar meus pais.
Namorar para provar que já sou "gente".
Namorar por sentir-se atraído sexualmente.
Namorar para levá-lo a Cristo, etc.

g) Meios para conquista no namoro

Agradar a Deus em primeiro lugar (Salmos. 37:4).
Orar e pedir a Deus.
Esperar tranqüilo e despreocupado.
Mostrar qualidades interiores.
Cuidar bem se sua aparência.
Mostrar-se educado e gentil.
Ser bom filho, bom aluno, bom funcionário, alegre, esportivo, social.

Dicas práticas: Usar um olhar, um sorriso, indiretas, dar atenção especial, presentear, procurar estar junto.

h) Meios errados de conquista no namoro

Mostrar o que não somos (querer aparecer).
Despertar desejos sexuais. Ex. roupas, gestos, palavras...
Mostrar sofrimento e despertar sentimentos de pena.
Mostrar-se de difícil conquista.
Ficar se oferecendo para o outro.

i) Quem conquista? O Rapaz ou a moça?

Os dois devem se conquistar. Se apenas um conquista, o outro fica prejudicado e terão problemas futuros.

j) Permissão dos pais

Sendo de menor, nunca namore sem a permissão de seus pais. Um namoro desobediente não tem a bênção de Deus.

k) Faça este teste bíblico no seu namoro

I Coríntios 13.4,8 Aplicação:

O amor é paciente: Ele ou ela é paciente com você e vice-versa, não brigam ou em muitas irritações, ira, raiva, etc?

O amor é benigno: Você sente que o outro quer exclusivamente seu bem e vice-versa, o namoro é bom, produz bem a vocês e aos outros?

O amor não arde em ciúmes: Vocês têm muito ciúme um do outro, não permitem outras amizades?

Brigam por causa disto?

O amor não se ufana. Ele ou ela fica contando vantagens porque lhe conquistou ou namora você, como um troféu conquistado?

O amor não se ensoberbece: Será que um dos dois tem o amor soberbo, vaidoso, orgulhoso, sentindo-se melhor que os outros?

O amor se conduz convenientemente: Um dos dois é de comportamento inconveniente, isto é, provoca situações embaraçosas entre os familiares, amigos ou mesmo quando estão a sós?

O amor não procura seus interesses: A pessoa que ama outra, nunca procura seus próprios interesses, levar vantagem sobre a outra, o melhor para si.

O amor não se exaspera: Você ou o outro é melindroso? Fica irritado, emburrado facilmente? Maltratam um ao outro? Aborrecem-se sempre?

O amor não se ressente do mal: Perdoa facilmente? Esquece mesmo? Não ficam emburrados? Não lembram brigas passadas, ciúmes, etc?

O amor não se alegra com a injustiça: Você fica alegre se o outro está em situação difícil? Faz comparações com outros? Justifica seus erros com as fraquezas da outra pessoa?

O amor alegra-se com a verdade: Custe o que custar, a verdade lhe trás alegria? Você encobre os erros de seu companheiro ou vice-versa?

O amor tudo sofre: Vocês dois estão dispostos a sofrer um pelo outro, perseguições, renunciar um pelo outro os privilégios, etc?

O amor tudo crê: Vocês confiam realmente no sentimento um do outro, ou são desconfiados, sem segurança, se vigiam?

O amor tudo espera: Vocês esperaram a permissão dos pais, esperam o tempo certo para "os carinhos", o tempo certo para o casamento?

O amor tudo suporta: O seu namoro suporta os obstáculos: distância, concorrência, a espera, o segundo lugar, etc?

O amor verdadeiro tem estas características, seja ele dirigido a Deus, a família, ao namorado ou ao próximo. Estude com seu (sua) namorada (o) este texto bíblico e tire outras aplicações particulares para vocês dois. São quinze itens, se sua nota for menos que oito, é bom pensar em outro namoro.

1. Diferenças entre Amizade, Amor e Paixão.

Amizade: afeição, simpatia, dedicação, identificação pessoal, amor sem atração física.
Amor: sentimento profundo de afeição, conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual. Amizade com atração sexual.
Paixão: sentimento excessivo, capaz de perturbar o juízo, afeto violento, amor ardente, sentimento abrasador. Um desejo sexual sem amizade.

m) Sexo no namoro

Carinho: afago, cuidado, meiguice, ternura.

Na verdade há um conceito errado de carinho.
Os namorados confundem carinho com carícias.
No namoro deve haver muito carinho e pouca carícia.
O tempo de namoro é do carinho.
O do noivado é o começo das carícias.
E o tempo de casado, é das carícias preparando para o ato sexual.
O carinho produz e desperta o amor.
As carícias produzem erotismo e desperta o desejo sexual.
O final de um carinho é um forte sentimento de amor.
O final de uma carícia é o orgasmo ou ato sexual.

Dicas práticas de carinho: um meigo olhar, um afagar de cabelo, um presente, ser gentil e educado, um toque no queixo, escrever cartinhas de amor, fazer surpresas, fazer carinho nas mãos, elogiar, etc. O carinho cabe nas amizades, namoro, noivado e no casamento.

Carícia: apalpar, alisar, contato com a pele do corpo para fins sexuais.

Segundo Dr. Fritz Kahn, acariciando-se a pele, principalmente em regiões erógenas como: seios, nádegas e órgãos sexuais, provoca-se uma excitação nervosa, como carga elétrica, que aumenta conforme os estímulos ritmados das carícias, até o ponto máximo do orgasmo (Nossa Vida Sexual). A carícia tem como objetivo principal, preparar o corpo para o ato sexual. Depois que a pessoa está excitada ela não tem condições de agir pela razão, agindo assim pelos seus instintos. É difícil alguém interromper uma ação depois de estar excitado.

Beijo: a boca é a mais importante zona erógena depois dos órgãos sexuais.
Ela tem quatro estímulos de excitação: táteis, térmicos, olfativos, gustativos.
O beijo simples (no rosto, mãos, etc.) mostra afeto e carinho.
O beijo bocal (prolongado nos lábios) mostra desejo forte.
O beijo nos lábios é a carícia mais excitante antes do ato, aliás, é a preparação última para o ato sexual.

n) Perigo do Sexo no Namoro

O problema é o seguinte: Até que ponto podemos ter intimidades físicas no namoro sem haver defraudação ou perigo de prejuízo dos dois?
Muita liberdade sexual provoca desinteresse do rapaz.
Afastamento de Deus e de seu trabalho.
Encontros somente para intimidades físicas leva ao ato sexual.
Do ato sexual a uma gravidez inesperada.
Aquilo que seria tão lindo e maravilhoso se torna vergonhoso, humilhante, triste, desesperador, um verdadeiro caos!

Exemplo: O rapaz abraça a moça, beijam-se prolongadamente nos lábios, ele começa a lhe fazer carícias nas regiões erógenas, a moça fica também excitada e permite que ele lhe tire parte da roupa e sem perigo, diz o rapaz, pede para por seu membro sexual na moça. Neste ponto, geralmente a moça não está preparada para o ato! E mesmo que seja uma "brincadeira de amor" o resultado é uma gravidez. O preço de alguns minutos de prazer é uma vida inteira de arrependimento e na nossa sociedade machista, quem mais sofre é a garota. Fim.


Autor:
Sandro Augusto Ferreira

terça-feira, 18 de março de 2008

A BATALHA ESPIRITUAL



TEMA: A REALIDADE DA GUERRA ESPIRITUAL PESSOAL
Texto Básico: Daniel 1:1-19
INTRODUÇÃO:




Vivemos num conflito espiritual sem tréguas. Satanás não tira férias, nem folga nos finais de semana. Ele sempre está planejando contra nós,mesmo quando sofremos alguma perda. Ele não respeita o nosso luto ou sofrimento, é neste estágio de maior vulnerabilidade emocional e psicológica, que ele desfere os seus golpes malígnos. Satanás não conhece o que é luta limpa. Ele é mau, perverso e destruidor. Precisamos, portanto, conhecer os seus desígnios para que ele não leve vantagem sobre nós. (2 Co. 2:10b-11)
Escolhemos o livro de Daniel para mostrar com clareza as estratégias sinistras do diabo, a fim de varrer de sua memória à LEI DE DEUS, contextualizando-o à cultura babilônica.

PARTE HISTÓRICA:

AUTOR: Daniel, membro da família real, nascido em Jerusalém, em 623 a.C., aproximadamente durante a reforma do Rei Josias e no princípio do Ministério de Jeremias. Foi levado à Babilônia, por ocasião do 1 exílio, em 605 a.C. pelo monarca Nabucodonozor que não dispunha de número suficiente de cultos para a cúpula governamental. Por isso o Rei levou jovens saudáveis, de boa aparência e de alto nível cultural.

CENÁRIO RELIGIOSO DE JUDÁ:

Época mais sombria do judaísmo. Todos os alicerces da sua fé pareciam ter desaparecido. A cidade escolhida por Deus fora arrasada, o Templo projetado e habitado pelo Senhor, tornara-se um montão de cinzas e o povo fora levado cativo à terra idólatra da Babilônia. Foi nesse período que surgiram as sinagogas onde os judeus adoravam e liam a TORÄ. Da fé judaica só restavam as Escrituras com as promessas da aliança do Senhor para com os antepassados.

CENÁRIO RELIGIOSO DA BABILÔNIA:

A religião da Babilônia centralizou-se em Bel Merodaque (Marduque) num grande templo. Ele era o senhor ou Bel (cognato de Baal), do panteão dos deuses da Babilônia. Anualmente, os sacerdotes traziam todos os deuses ou estátuas por ocasião da festa de Nisã, ao templo de Merodaque (deus supremo).
Nabucodonozor não se mostrou apenas um gênio militar, amante do luxo, edificador de monumentos,jardins e canais, mas também um homem muito religioso.

ESTRATÉGIAS SINISTRAS E DESTRUIDORAS DE SATANÁS:

MUDANÇA DE NOMES: (Vs.7)
Sutileza maligna: Eles precisavam de cidadania babilônica.
Propósito: Varrer da memória deles o nome de "Jeová" , e consagrá-los aos deuses da Babilônia.
DANIEL: "Deus é meu juiz" = Betessazar: "Bel proteja a sua vida"
HANANIAS: : Jeová é gracioso" = Sadraque: "Servo de Aku" (deus lua)
MISAEL: "Quem é igual a Deus?" = Mesaque: "Quem é igual a Aku?"
AZARIAS: "Jeová ajuda" = Abede-Nego: "Servo de Nego = deus da sabedoria ou estrela da manhã.
ALIMENTAÇÃO: (Vs.5-6)
Sutileza maligna: alimentá-los com a comida do Rei
Propósito: Fazê-los pecar contra à Lei de Deus e entorpecer a mente (Oz.4:11).

EDUCAÇÃO:

Sutileza maligna: Ensiná-los a cultura e a língua dos caldeus.
Propósito: Contradizer os retos ensinos da Lei de Deus e construir sofismas (argumentos, teorias e razões da mente).
(2 Co.10:4-5) "As armas da nossa batalha espiritual não físicas (armas de carne e sangue), mas elas são poderosas em Deus, para demolição de fortalezas, refutando argumentos, teorias e razões, e todo orgulho que se levanta contra a verdade e conhecimento de Deus, levando todo pensamento e propósito cativo a obediência de Cristo" (Amp.)

PASSOS PARA A VITÓRIA:

DETERMINAÇÃO (resolução, decisão, coragem, afoiteza): (Vs.8-13)
Resultado: Saúde e robustez (Vs.15)
PRUDÊNCIA (virtude que faz prever e procura evitar as inconveniências e os perigos: cautela, precaução):
Resultado: Sabedoria e inteligência 10 vezes mais (Vs.17-20)
FIDELIDADE (mesmo em face à morte): (Dn.3 e 6)
Resultado: A exaltação de Deus e livramento
TEMA: O PERFIL DO GUERREIRO
Texto básico: 1 Samuel 16:18